Candeia sobre o candeeiro!
Embora as claridades da Tecnologia, as luzes das Ciências e os faróis da Astronomia — que alcançam sóis e novos mundos no Universo — não conseguem iluminar a maioria dos Espíritos humanos.
Em tudo há sempre um foco objetivando mostrar algo de um indivíduo, ou de alguma coisa qualquer — animada ou inanimada —, ou ainda de um fato, sempre pela sua exterioridade. Ainda que se busquem aprofundar pesquisas, esmiuçando o foco de referência, assim mesmo não se foge à exterioridade.
Todos os avanços científicos e tecnológicos, que sobrepõem os limites de ontem — relevantes e de grande importância para os habitantes da Terra — ressaltam os préstimos econômicos e o conforto para a vida de muitos. No entanto, não proporcionam as mesmas condições para a promoção do que é o mais essencial para o ser humano: compreender as razões verdadeiras da existência de todos esses esforços; entender, também, as razões da temporariedade das vidas e os multiformes modos de viver.
Há dores físicas e dores morais. Uma parcela pequena da população desfruta de muito conforto; a outra parte vai da miséria absoluta até um degrau social denominado classe média. É preciso considerar que a base da pirâmide social é sustentada por carências de todas as ordens. Aí se encontra a maior parte das pessoas do mundo. Importa compreender que pessoas são Espíritos encarnados.
Razão por que Jesus Cristo ensinou sobre colocar a candeia no candeeiro. É imprescindível colocar os talentos a serviço das pessoas, e não somente a serviço dos interesses econômicos e dos poderes governamentais — estes, geralmente, para manter suas hegemonias, sufocam os mais fracos, fazendo grassar os sofrimentos e privilegiando uma minoria exclusivista.
“Amar o próximo como a ti mesmo” é o parâmetro. Todo desenvolvimento econômico, científico e tecnológico precisa ser direcionado e pensado na melhoria espiritual das pessoas, com consciência geral de que toda a população, mesmo após a morte de cada personalidade, permanecerá na vida espiritual. Certamente em escalas diversas, podendo muitos dos paupérrimos de agora estarem colocados em patamar superior àqueles que hoje se encontram em posição de maior relevância. A questão é moral e espiritual, visto que as normas vigentes na vida material não são as mesmas no plano dos desencarnados.
No andar das gerações, todos retornaremos à vida em um corpo novo, conforme as necessidades e os planejamentos personalizados, em circunstâncias e situações que sejam as melhores para a nossa evolução. Tendo por base inúmeras mensagens espirituais psicografadas por Espíritos orientadores da Humanidade, compreende-se que, no futuro, nem todos conseguirão reencarnar nas mesmas condições sociais que vivenciam na presente existência, pois isso dependerá da forma como cada um participou desta vida e de qual foi a sua contribuição em favor da coletividade.
Grande parte dos indivíduos optou por usufruir e gozar todas as possibilidades de modo egoístico, não se importando com os demais conviventes de seu tempo, ignorando a necessidade do retorno em um novo tempo de experiências, quando encontrará benefícios ou escassez resultantes de seus próprios feitos. Não há do que reclamar: sempre reencontraremos — em nova existência — o meio social que ajudamos construir. Não é difícil observar os bolsões de pobreza em sociedades consideradas progressistas e até avançadas nas questões econômicas e culturais… Muitos que hoje vivem o pauperismo, em outros tempos foram abastados, certamente useiros e vezeiros em não se importar com os mais simples socialmente fragilizados.
A “Candeia sobre o candeeiro” tem muitos significados; podemos, ao menos, escolher um deles: esparramar as luzes da esperança. Quanto as pessoas denominadas ricas desperdiçam recursos financeiros com descuidos ou imprevidências, lançando riquezas à inutilidade? Quantos luxos desnecessários e inúteis! São indivíduos dominados pelo egoísmo, que não percebem que suas sobras ou desperdícios poderiam representar, para uma população carente — quando adequadamente empregados —, trabalho que dignifica a vida, saúde, educação e inclusão social ascendente.
Em existências futuras, aqueles que hoje, abastados, fecham os olhos à carência social — quando não são os próprios geradores de misérias ou alimentadores da pobreza em função de seus interesses econômicos — terão a possibilidade de vivenciar experiências semelhantes de escassez, em virtude do despertamento de suas consciências, que acordam desejosas de remissão.
A consciência, por mais bruta que seja, aquela que nada vê além de seus interesses egoísticos, não dorme para sempre. Em um instante inopinado, às vezes diante de grande dor moral ou de profunda frustração de seus interesses, ela acorda, inteirando-se da dimensão das responsabilidades que lhe pesam, não enxergando outro caminho senão solucioná-las.
A candeia acesa sobre o candeeiro é foco de esperança e transformação de muitas vidas, sendo um grande investimento espiritual que proporciona paz e felicidade pela eternidade. Tal orientação vem do próprio senhor Jesus Cristo (Mateus 5:15; Marcos 4:21; Lucas 8:16; Lucas 11:33).
Que saibamos iluminar a nossa vida!
Dorival da Silva.
Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo: