quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Escritura individual


Escritura individual

“Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram.” - (Mateus, 26:56.)
O desígnio a cumprir-se não constitui característica exclusiva para a missão de Jesus.
Cada homem tem o mapa da ordem divina em sua existência, a ser executado com a colaboração do livre-arbítrio, no grande plano da vida eterna.
Acima de tudo, nesse sentido, toda criatura pensante não ignora que será compelida a restituir o corpo de carne à terra.
Os companheiros menos educados sabem, intuitivamente, que comparecerão a exame de contas, que se lhes defrontarão paisagens novas, além do sepulcro, e que colherão, sem mais nem menos, o fruto das ações que houverem semeado no seio da coletividade terrestre.
Em geral, porém, ao homem comum esse contrato, entre o servo encarnado e o Senhor Supremo, parece extremamente impreciso, e prossegue, experiência afora, de rebeldia em rebeldia.
Nem por isso, todavia, a escritura, principalmente nos parágrafos da morte, deixará de cumprir-se. O momento, nesse particular, surge sempre, com múltiplos pretextos, para que as determinações divinas se realizem. No minuto exato, familiares e amigos excursionam em diferentes mundos de ideias, através das esferas da perplexidade, do temor, da tristeza, da dúvida, da interrogação dolorosa e, apesar da presença tangível dos afeiçoados, no quadro de testemunhos que lhe dizem respeito, o homem atende, sozinho, no capítulo da morte, aos itens da escritura grafada por ele próprio, diante das Leis do Eterno Pai, com seus atos, palavras e pensamentos de cada dia.
Mensagem extraída da obra: Vinha de Luz, ditada pelo Espírito Emmanuel e psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, capítulo 94,
REFLEXÃO: Como negar ao que consta instalado na consciência? O translado escritural dos compromissos assumidos diante da estância evolutiva é inegável, intransferível, cabendo ao compromissado dar contas sob pena das cominações inerentes ao inadimplente, podendo ser agravadas pela renitência no descumprimento de suas obrigações.
Uma multidão de Espíritos todos os dias deixa a vida do corpo físico, em incontável circunstância, e uma outra entra na vida corporal, os que retornam ao campo espiritual levam consigo o atendimento ou não de seus compromissos escriturados na alma, põem-se felizes ou magoados, revoltados o que corresponde aos seus feitos e ao atendimento ou não das cláusulas morais do seu contrato diante da vida; os que chegam, vem com os ajustados deveres a cumprir, na maioria, cheios de esperança e os melhores desejos, no entanto, no transcorrer da lida, no levantar da cortina dos oferecimentos do mundo poucos resistem à tentação de novamente usufruir das experiências conhecidas em vida anterior, que tendenciosamente acende o braseiro adormecido, lembrando-se intuitivamente de sensações, tais como: do poder degenerativo, do sensualismo, do sexualismo e outros “-ismos” depreciativos de comportamento digno diante da consciência,    dando aso ao descumprimento voluntário dos compromissos  escriturados  no próprio espírito.
O orientador espiritual Emmanuel, na página inicial, registra: “Em geral, porém, ao homem comum esse contrato, entre o servo encarnado e o Senhor Supremo, parece extremamente impreciso, e prossegue, experiência afora, de rebeldia em rebeldia”.  É a liberdade que o Criador dá à criatura, o livre-arbítrio. Aí reside o problema humano, que pode decidir por sua conta, o que fazer na vida; como está mais próximo da sua origem, do estado egoístico, próximo da animalidade, conquanto a conquista de alguns passos evolutivos, contrariar a própria consciência ainda lhe dá satisfação, tem prazer doentio, o prefere aos esforços do livramento de seu próprio mal.
Respeitar o escriturado espiritual, que geralmente exige reparação de desvios antigos, reorientação dos sentimentos, estabelecimentos em si de uma fé raciocinada, ações no bem geral, diminuição do orgulho e do egoísmo, exercício da verdadeira caridade, conquista de virtudes, não é tarefa cômoda, não é viagem de lazer, trata-se de esforço hercúleo.
O que se precisa entender, o que faria com que os esforços ficassem mais leves, é ter uma visão de futuro, futuro espiritual, entendendo que o espírito humano viaja no tempo, pela eternidade, e quanto mais rápido supera suas misérias e conquista virtudes mais leve se torna, fazendo com que a viagem que por ora é incômoda, pesada, dolorida, porque carrega-se uma montanha de quinquilharia emocionais sem nexo, em muito, somente atendendo os caprichos da própria escuridão moral que em nada importa para a felicidade e paz íntima. 
No final do último parágrafo do texto de Emmanuel, lê-se: “(...) o homem atende, sozinho, no capítulo da morte, aos itens da escritura grafada por ele próprio, diante das Leis do Eterno Pai, com seus atos, palavras e pensamentos de cada dia.”  Conquanto a rebeldia geral, considerando o não atendimento em nada do que foi combinado antes da entrada na carne, uma cláusula será cumprida fielmente, a da morte do corpo, essa não há como adiar; mesmo correndo num processo de mortes coletivas, cada espírito estará singularmente posto na forma “grafada por ele próprio”.
Por que não honrar o compromisso proposto e assumido voluntariamente diante da Lei Natural, sendo que todas as cláusulas são a favor do devedor?
                                             Dorival da Silva

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A máquina divina

Elucidações de Emmanuel


por Francisco Cândido Xavier


A máquina divina

Meu amigo,
O corpo físico é a máquina divina que o Senhor nos empresta para a confecção de nossa felicidade na Terra.
Os vizinhos do bruto precipitam-na ao sorvedouro da animalidade.
Os maus empregam-na criando o sofrimento dos semelhantes.
Os egoístas valem-se dela para esgotarem a taça de prazeres fictícios.
Os orgulhosos isolam-na sem proveito.
Os vaidosos cobrem-na de adornos efêmeros para reclamarem o incenso da multidão.
Os intemperantes destroem-na.
Os levianos mobilizam-na para menosprezar o tempo.
Os tolos usam-na inconsideradamente, incentivando as sombras do mundo.
Os perversos movimentam-lhe as peças na consecução de desordens e crimes.
Os viciados de todos os matizes aproveitam-lhe o temporário concurso na manutenção da desventura de si mesmos.
Os indisciplinados acionam-lhe os valores estimulando o ruído inútil em atividades improdutivas.
O espírito prudente, todavia, recebe essa máquina valiosa e sublime para tecer, através do próprio esforço, com os fios da caridade e da fé, da verdade e da esperança, do amor e da sabedoria, a túnica de sua felicidade para sempre na Vida Eterna.

Da obra intitulada Nosso Livro, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, publicado em 1950.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Reflexão: Nos dias atuais em que há um endeusamento de si mesmo, visando a exuberância física, com os excessos musculares, com adornamentos metálicos e outros materiais, com enfeites pictóricos, intervenções plásticas alteradoras da estrutura original, entre outros fazeres excepcionais, quando a “máquina divina” não pede nada disso.

O Espírito Emmanuel, com a lucidez que lhe é característica, com visão que transcende os limites da materialidade, mostra que o instrumento corporal tem outra finalidade. “O corpo físico é a máquina divina que o Senhor nos empresta para a confecção de nossa felicidade na Terra.”  O Benfeitor diz que o Senhor empresta a Máquina Divina...  Essa informação leva à meditação: Embora o corpo sirva exclusivamente a um indivíduo, ele não lhe pertence definitivamente. Poderá sê-lo retirado a qualquer momento, restituindo-lhe à Natureza de onde veio, desintegrando-se definitivamente para integrar outras construções orgânicas ou não.

... empresta a máquina divina para a confecção da nossa felicidade na Terra.”  Trata-se de equipamento fungível. O “Ser pensante”, a Alma, precisa de tal máquina para sua vida temporária no mundo material na busca das experiências espirituais. Toda a alquimia com as coisas da Terra é visando o aprimoramento da Alma, intelectual e moralmente.

Tudo o que se valora intensamente no corpo implementa-se com as mesmas colorações no envoltório da Alma, o que se denomina na Doutrina Espírita por perispírito, corpo sutil que envolve o "Ser Pensante" - a Alma - e permanece após a morte do corpo físico.  Com essa apresentação permanece-se durante a erraticidade (período entre a desencarnação e a próxima reencarnação), com exceções e graduações próprias de cada situação.

“O Senhor nos empresta (o corpo físico) para a confecção de nossa felicidade na Terra.”  Há que se entender que o Mentor faz referência a felicidade que se construirá na Alma, portanto, patrimônio infungível, terá continuidade após a morte. Assim não limita a confecção de felicidade para gozo apenas enquanto na vida material, mas para sempre. Dessa forma, transferir a condição de usufruir felicidade com os elementos da matéria é pura ilusão, mesmo porque a matéria nada poderá perceber, sendo o sentir um atributo da Alma.

A vida no ambiente da Terra flui em dois planos, sendo o plano espiritual, a condição primeira, -- pois de lá veio para lá retornará --; o plano no corpo físico é uma viagem de oportunidades para aprendizado e aprimoramento da Alma.  Numa análise mais profunda a Alma vive os dois planos ao mesmo tempo, embora quem está na indumentária física não perceba.

Emmanuel, o Espirito benfeitor, faz correlação entre a condição moral e a empregabilidade da máquina divina, que foi emprestada pela Divindade para a confecção da felicidade, mas, o homem, pela Lei Natural tem o livre-arbítrio, confecciona o sofrimento, para si, se não ocorre imediatamente virá no futuro, e para os outros proporciona dificuldades, tornando para si dívidas a serem sanadas em algum tempo. Abaixo tornamos aos registros do Benfeitor:

“Os vizinhos do bruto precipitam-na ao sorvedouro da animalidade.
“Os maus empregam-na criando o sofrimento dos semelhantes.
“Os egoístas valem-se dela para esgotarem a taça de prazeres fictícios.
“Os orgulhosos isolam-na sem proveito.
“Os vaidosos cobrem-na de adornos efêmeros para reclamarem o incenso da multidão.
“Os intemperantes destroem-na.
“Os levianos mobilizam-na para menosprezar o tempo.
“Os tolos usam-na inconsideradamente, incentivando as sombras do mundo.
“Os perversos movimentam-lhe as peças na consecução de desordens e crimes.
“Os viciados de todos os matizes aproveitam-lhe o temporário concurso na manutenção da desventura de si mesmos.
“Os indisciplinados acionam-lhe os valores estimulando o ruído inútil em atividades improdutivas.”

Fechando o texto de orientação, Emmanuel, resumidamente fala de como bem utilizar a máquina divina e os resultados a se alcançar, que transcende os limites desta existência material e segue o caminho da eternidade:
“O espírito prudente, todavia, recebe essa máquina valiosa e sublime para tecer, através do próprio esforço, com os fios da caridade e da fé, da verdade e da esperança, do amor e da sabedoria, a túnica de sua felicidade para sempre na Vida Eterna.”

                                                         Dorival da Silva

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Amadurecimento espiritual


Amadurecimento espiritual

          O Espírito Humano, viajor no tempo que não tem fim, sendo de sua responsabilidade a qualidade da viagem e o aproveitamento das possibilidades a seu favor.

        A viagem terá mais ou menos dificuldades de acordo com o estágio evolutivo. Poderá atrasar-se indefinidamente em situação de sofrimento, perturbação, revolta...  Caberá a si mesmo a modificação do estado em que se encontrar.

        A meta para todos é o estado de paz e felicidade; essa conquista é pessoal.  Conquanto depender das relações coletivas, o desenvolvimento é individual, o que quer dizer que o coletivo é o resultado das qualidades individuais.   

        A existência de boa convivência familiar configura melhores possibilidades em sociedade.  As experiências bem-sucedidas promovem a confiança e a segurança nas ações de progresso.  As experiências de resultados negativos, se superadas as causas e as consequências, mostram que os sofrimentos não compensam, apesar de serem lições, deixam suas marcas.

        Prestar atenção na vida, o que corresponde a meditar nas decisões e ações a serem encetadas no roteiro existencial, favorece sobremaneira o amadurecimento espiritual, pois, procura-se antever os resultados e as consequências.

        Toda ação proporcionará resultado positivo ou negativo, contra o próprio ou a outrem, ou a ambos, com consequências que poderão se desdobrar em questões materiais e emocionais, quase sempre as vinculando.

        Os problemas materiais podem ser resolvidos facilmente se os reflexos emocionais permitirem. Assim os problemas gerados pelas ações levadas a efeito com irresponsabilidade desdobram no campo espiritual ligando os indivíduos pelo ressentimento, ódio, mágoa, desejo de vingança...

        Quando a ação é labor no bem, isto gera vibrações de alegria, de agradecimento, que perduram no tempo, somando-se com outras de mesmo teor, formando um patrimônio sustentador da paz e felicidade.

        O amadurecimento espiritual não acontece num átimo de tempo, nem numa ação fortuita. Essa estrutura espiritual é obra de vivências, da compreensão da necessidade do equilíbrio, da temperança diante das circunstâncias da vida, ponderações diante das próprias ações, como das dos demais que rumam no caminho evolutivo.

        O ninho familiar é o grande laboratório de amadurecimento, para os que se acham na condição de filhos, como de pais. Na família forma um caldo vivencial, conquanto entrelaçados os seus elementos, permanecem individualizados, cada um acolhendo a experiência com os sentimentos que lhe é possível, diante da elevação moral e intelectual que lhe é própria. Nenhum dos componentes é perfeito, embora cada elemento se encontre num patamar evolutivo único, apesar da proximidade evolutiva entre si.

        O contributo da mensagem de Jesus amplia em muito o amadurecimento espiritual, vez que traz entendimento para as dificuldades que se deparam no correr da vida. Jesus faz a ligação entre a vida material e a vida espiritual. Reporta-se aos sofrimentos e aflições da alma humana nos contextos da existência, mas esclarece que há libertação dos males, num novo contexto de vida, no campo espiritual.

        Somente os rebeldes e os renitentes permanecem em sofrimento até que se autorizem sinceramente à modificação do seu estado, contornando o orgulho, o egoísmo... Aplicando na sua existência as regras do bem-viver, respeitando a si mesmo e ao próximo.

        A Doutrina Espírita que veio na condição de “terceiro revelador”, dando complemento as revelações de Moisés e as de Jesus, sendo promessa do próprio Cristo, vem dar mais luz ao entendimento naquilo em que não pôde fazer, em conta as condições intelectuais e morais dos homens de sua época.

        Essa terceira revelação, o Espiritismo, demonstra fatos relevantes para o aprimoramento do Espírito Humano, pois lança luz a infinitas indagações, principalmente sobre a continuidade da vida após a morte do corpo físico, aí, o codificador do espiritismo, Sr. Allan Kardec, faz, com a ajuda dos Espíritos, um raio X do mundo espiritual.  A Doutrina Espírita não é obra de uma pessoa, o Sr. Kardec foi o organizador, na qualidade de pedagogo, oferecendo contribuição da sua condição de homem culto e sábio de seu tempo, no entanto, é obra dos Espíritos evoluídos, que no tempo determinado por Jesus, veio fazer fluir através da Espiritualidade Maior, àquilo que já existia no Mundo, através das religiões, dos profetas, das filosofias, das ciências, dos saberes populares, no entanto estavam esparsos, sendo tudo juntado e organizado, formando uma Nova Ciência, uma Nova Filosofia,  com consequências morais – Nova Religião, mas sem hierarquia, sem cerimônias, tendo como fundo a religação do homem a Deus, pelos laços da inteligência, da fé racionada e da moral.

        Todos os esforços para o amadurecimento espiritual é aproximar-se de Deus, o que quer dizer, adentrar à plenitude da vida, quando as influências materiais estarão vencidas.


                                                  Dorival da Silva

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Amai-vos

Amai-vos

“Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade.” - João. (I João, 3:18.)
Por norma de fraternidade pura e sincera, recomenda a Palavra Divina: “Amai-vos uns aos outros.”
Não determina seleções.
Não exalta conveniências.
Não impõe condicionais.
Não desfavorece os infelizes.
Não menoscaba os fracos.
Não faz privilégios.
Não pede o afastamento dos maus.
Não desconsidera os filhos do lar alheio.
Não destaca a parentela consanguínea.
Não menospreza os adversários.
E o apóstolo acrescenta: “Não amemos de palavra, mas através das obras, com todo o fervor do coração.”
O Universo é o nosso domicílio.
A Humanidade é a nossa família.
Aproximemo-nos dos piores, para ajudar.
Aproximemo-nos dos melhores, para aprender.
Amarmo-nos, servindo uns aos outros, não de boca, mas de coração, constitui para nós todos o glorioso caminho de ascensão.
  
Mensagem extraída da obra: Vinha de Lua, ditada pelo Espírito Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 130, publicada em 1951.
______________________________________________________________
Reflexão: Para amar é preciso que o amor esteja em nós. No entanto, somos imperfeitos e esse sentimento é conquista crescente na intimidade de cada um de acordo com a lucidez alcançada diante da vida.

O exercício de amar se verifica ao choque dos comportamentos contrários ou divergentes ao estado de conforto emocional.  O que não é exatamente a relação com os posicionamentos emocionais opostos aos nossos, tais como: honesto e desonesto; falso e verdadeiro...

O problema que incomoda é encontrar a manifestação de comportamento que reflete identicamente a nossa própria condição emocional. Proporcionando uma reação de descontentamento, de ódio, de inveja, de birra, de desconfiança, de inferioridade, de falsa superioridade, de orgulho, de egoísmo, de...

Então como amar o próximo se não nos amamos? Precisamos nos amar.  Como será isso? Certamente não se dará num passe de mágica? É preciso se conhecer e para isso é preciso conviver com o nosso próximo, principalmente, os mais próximos.  Percebermos as nossas reações diante de tudo o que ocorre nas convivências diárias, não reagirmos como o animal faz por instinto, agredindo inconscientemente, mas utilizando os fatos para verificarmos a nossa posição, e aprofundarmos reflexão sobre as ocorrências.

Isso traz sofrimento para quem se propõe a se amar, leva àquele de bom propósito a buscar remédio eficaz, que é fácil de ser encontrado, que muitas das vezes está no seu próprio armário, muito maltratado, que é o Evangelho de Jesus, comum a todos os credos.

Agora, por certo, não será uma leitura superficial, com os olhos visitando as letras há muito conhecidas e até decoradas, será busca mais aprofundada, pois o nosso estado emocional pede mais consistência, porque estamos sofrendo, meditamos, não desejamos explodir, queremos refrigério consciente, o tratamento definitivo.

“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo”.  (Jesus; Mateus, 11:28 a 30.)

Não é sem razão, que o meio familiar, onde se encontram os próximos mais próximos, com raras exceções, é ambiente tumultuoso, pois, sendo que os iguais no campo dos interesses e das emoções se atraem, além de que são devedores e credores uns dos outros, resultantes de vidas passadas, em que foram parentes ou não, possivelmente vítimas e algozes dentro dos contextos que viveram.

Todos precisamos nos amar e amar o próximo, somente assim anularemos transformando as cargas deletérias que estabelecemos em nossa alma, em virtudes que nos dulcificarão, e, assim, ocorrendo com todos, alçaremos o estado de plenitude, onde estas virtudes se refletirão nos outros e retornarão ampliando a soma de paz e felicidades que todos almejam.

“Entretanto, faz depender de uma condição a sua assistência e a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na lei por Ele (Jesus) ensinada. Seu jugo é a observância dessa lei; mas esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cristo Consolador – capítulo VI, item 2)

                                                                         Dorival da Silva

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Canção da Imortalidade

Canção da Imortalidade

Os teus afetos que desencarnaram vivem e prosseguem conforme eram enquanto na vilegiatura carnal. Não os pranteies em desespero, porque obedeceram à Soberana Lei biológica, a qual estabelece que tudo quanto nasce, morre.
Morrer, no entanto, não significa consumir-se, desintegrar-se no nada. Tudo se transforma, inexistindo o aniquilamento da vida.
Qual seria a finalidade da existência, o seu significado, se a fatalidade da evolução a destruísse, dessa nada restando?
Olha em derredor e acompanha o desdobramento do existir, a multiplicidade de experiências no laboratório do globo terrestre.
Tudo é movimento, organização, equilíbrio, e mesmo aquilo que se apresenta como desordem ou caos obedece a leis inflexíveis que o acionam, a fim de que alcance a finalidade a que se destina.
A semente intumesce-se, e o vegetal triunfa enquanto ela se desintegra, transforma-se e aparentemente morre, facultando perpetuar-se a espécie que surgirá no momento adequado, após os impositivos indispensáveis ao seu desenvolvimento, numa fatalidade que nunca deixa de acontecer.
Observa a luta de todas as áreas, desde o vírus insignificante às amebas na ansiosa e célere multiplicação com que exaltam o fenômeno de viver.
O ser humano caminha no rumo da imortalidade, desde quando vencidas as ásperas etapas. Agora, sob a nobre conquista da inteligência e dos sentimentos, avança para a angelitude. Esse percurso que se deu naturalmente na sucessão dos milhões de anos obedeceu a uma planificação anterior, sem pressa nem alteração na ordem do seu desenvolvimento.
Eles, os teus afetos, acercam-se de ti com imensa ternura e inspiram-te em tentativas de serem percebidos, ansiosos por oferecer-te notícias do que sucedeu com eles, a fim de que não incidas nos mesmos equívocos e perturbações.
Se te amaram, continuam afeiçoados e zelosos, muito se esforçando para que as tuas horas terrestres sejam abençoadas pela alegria de viver e pela oportunidade de trabalhar em favor da autoiluminação, assim como da fraternidade com as demais pessoas.
Têm nítida visão da imortalidade e anelam convidar-te à compreensão elevada dos objetivos essenciais.
Faze silêncio interior, aquieta as ansiedades e harmoniza as emoções para que os possas ouvir e sentir.
Eles te amam ainda e têm os mesmos sentimentos de saudade, ternura, anelos de convivência, aspirações de progresso.
É natural que sintas saudade e a ausência deles produza tristeza ou amargure o teu coração.
Não te constitua motivo de desnorteamento a falta da convivência física. É temporária, porque também, no momento próprio, rumarás pelo estreito corredor da morte, enquanto eles te aguardam com emoções inauditas.
A vida é de sabor indestrutível. Desde que se apresenta em qualquer forma, prosseguirá com mais complexidade até alcançar a finalidade a que se destina.
Em todos os tempos, o fenômeno da morte constituiu uma fatalidade perversa, quase incompreensível no seu contínuo ceifar de existências.
Considera que se não houvesse essa abençoada interrupção, como seria a sua continuidade na Terra? O prolongamento sem fim, assinalado por tormentos inauditos e sem a esperança da sua sucessão?
A morte é o veículo que faculta a cessação momentânea dos fenômenos físicos, materiais, sem qualquer prejuízo para a essência - a alma imortal!
Vive, porém, de maneira saudável, para que os teus sejam dias bem-aventurados e a edificação do futuro seja segura para coroar-se de paz.
Utiliza-te de cada momento no carreiro orgânico para aprimorar-te e desenvolveres a divina essência de que te constituis.
Abandona os adornos grotescos de que te utilizas para as condições existenciais e faze-te sutil e transparente como um delicado raio de luar.
O sentido da existência terrestre é o de autoiluminação, prolongando-se pelos sem-fins da imortalidade.
Tudo o que é material experimenta mudanças.
O tempo, na sua voracidade, utiliza-se dos elementos da Natureza para tudo alterar e reduzir à poeira original.
Não, porém, a vida.
Maior concessão de Deus, recorre-lhe a oportunidade para enriquecer-te de bênçãos, que esparzirás pelo caminho percorrido, transformadas em sinais luminosos.
A dor provinda da ausência desses amores que voltaram ao Grande Lar através da morte deve ser superada pelas cálidas lembranças da convivência com eles.
Revive-os pela memória, nos acontecimentos que te alegraram, as mil nonadas dos sorrisos, mas também as experiências de dor e de aflição que te fortaleceram no convívio com eles.
Jamais te iludas com a ideia absurda do nada.
Vivem aqueles que já morreram.

*

A lagarta que se arrasta, graças à histólise e à histogênese, transforma-se em falena leve que flutua no ar.
O ser espiritual que se reveste de carne, quando essa transformação ocorre e desveste-o, ascende com leveza aos páramos celestes.
Abençoa a tua existência física mediante o respeito aos fatores que a reencarnação coloca para viver. Não têm caráter punitivo ou afligente, nem são considerados plenificadores como concessões ímpares, mas resultado dos comportamentos.
Todos que se encontram na roupagem física estão em aprendizagem na escola redentora. Ninguém privilegiado, pessoa alguma na condição de condenado. As experiências de crescimento são as mesmas para todos os seres.
A sabedoria do amor inspirará a cada qual o melhor rumo a percorrer. Mantém-te atento no momento da escolha, fazendo o investimento seguro da renúncia e da abnegação hoje para a sublime compensação amanhã.
Quando se adquire consciência do significado existencial, nada a macula, porque se transforma em lição, e nada a diminui, porque a Lei é de evolução.

*

Diante do esquife dos que morreram, aprende a respeitá-los.
Alguns permanecem ao lado dos próprios corpos, ouvem-te, veem-te e sentem as tuas boas ou más emoções.
Recorda de momentos agradáveis que eles captarão e os felicitarão.
Faze com eles como gostarás que te façam quando chegar a tua vez.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite
                                               de 5 de setembro de 2016, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.
Em 9.1.2017.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Candeia sob o alqueire e Bem-aventuranças

Candeia sob o alqueire

       Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente.  (Lucas, 8:16 e 17.)

Extraído de O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XXIV - Não ponhais a candeia debaixo do alqueire, item 2.

Bem-aventuranças

“Bem-aventurados sereis quando os homens vos aborrecerem, e quando vos separarem, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem.” – Jesus. (Lucas, 6:22.)

O problema das bem-aventuranças exige sérias reflexões, antes de interpretado por questão líquida, nos bastidores do conhecimento.

Confere Jesus a credencial de bem-aventurados aos seguidores que lhe partilham as aflições e trabalhos; todavia, cabe-nos salientar que o Mestre categoriza sacrifícios e sofrimentos à conta de bênçãos educativas e redentoras.

Surge, então, o imperativo de saber aceitá-los.

Esse ou aquele homem serão bem-aventurados por haverem edificado o bem, na pobreza material, por encontrarem alegria na simplicidade e na paz, por saberem guardar no coração longa e divina esperança.

Mas... e a adesão sincera às sagradas obrigações do título?

O Mestre, na supervisão que lhe assinala os ensinamentos, reporta-se às bem-aventuranças eternas; entretanto, são raros os que se aproximam delas, com a perfeita compreensão de quem se avizinha de tesouro imenso. A maioria dos menos favorecidos no plano terrestre, se visitados pela dor, preferem a lamentação e o desespero; se convidados ao testemunho de renúncia, resvalam para a exigência descabida e, quase sempre, ao invés de trabalharem pacificamente, lançam-se às aventuras indignas de quantos se perdem na desmesurada ambição.

Ofereceu Jesus muitas bem-aventuranças. Raros, porém, desejam-nas. É por isto que existem muitos pobres e muitos aflitos que podem ser grandes necessitados no mundo, mas que ainda não são benditos no Céu.

Mensagem extraída da Obra: O Pão Nosso, ditada pelo Espírito Emmanuel, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, capítulo 89, publicada em 1950.


Reflexão:  As verdades, em se tratando das questões espirituais, não são conclusivas e definitivas no estágio evolutivo dos Espíritos vinculados ao Planeta Terra, nem no tempo em que Jesus fez revelações e nem nos dias atuais, embora os entendimentos das mesmas verdades se estenderam, mas não abrangem a sua integralidade, vez que esta somente se amplia de acordo com os valores intelectuais e morais alcançados pelos homens. Jesus na sua grandiosidade as conhecia na inteireza, mas sabia que o revelar deveria ser gradativo para que houvesse conformação nas almas ainda em início de vivência na busca de sabedoria.

A luz da verdade precisa estar à vista, perceptível ao que a busca. A quem busca a luz material em algum ambiente, para que a encontre com facilidade, faz-se necessário que ela esteja no candeeiro, num lugar de evidência.

A referência de Jesus, embora utilize a figura da luz material, elemento comum a todos, falava da luz espiritual. Como o Guia de Humanidade estava a ensinar sobre algo ainda não alcançável pelo entendimento de seu tempo, faz a ponte, para a ideia chegar até os dias atuais, quando a inteligência e o entendimento fossem maiores.

A candeia trata-se do próprio Espírito dos homens, que precisam se aprimorar, precisam encandecer-se de entendimento e vivência, combustível das virtudes e valores morais, numa palavra, lucidez.

Deverá se encontrar no candeeiro da vida, não mais afixado em algum ponto relevante de ambiente material, mas nas lides de responsabilidade dentro da sociedade, realizando e promovendo o progresso geral, mesmo que através de ações consideradas sem muita importância aos olhos da coletividade.  As ações empreendidas por Jesus também não eram consideras de relevância aos maiorais de sua época.

As ações nobres terão reflexos nos corações, nas almas, no seguir dos tempos, sendo que os resultados não competem ao que realiza, portanto, não se deve esperar ou exigir. O bem é o perfume que se perceberá inopinadamente em algum momento na eternidade, mas, desde agora, a sua intenção proporciona paz e felicidade.

“...pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente. “

***

“Confere Jesus a credencial de bem-aventurados aos seguidores que lhe partilham as aflições e trabalhos; todavia, cabe-nos salientar que o Mestre categoriza sacrifícios e sofrimentos à conta de bênçãos educativas e redentoras. ” 

Bem-aventurado é a credencial atribuída por Jesus aos seguidores que agem e suportam as aflições e trabalhos para a realização do bem. Todo bem tem a propriedade de promover o homem, o espírito humano, sendo indispensável suportar os efeitos das ações transformadoras.

Toda tarefa no bem exige esforços, tanto dos que estão mais clarividentes de suas obrigações diante da vida, pois caminharam mais, evolutivamente, como dos que precisam dar os primeiros passos por vontade própria, vencendo as amarras impeditivas que lhes são inerentes, sendo essas forças pungentes, que alimentaram por muito tempo.

Os transeuntes da vida, mesmo cheios de boas intenções, mas que se deixam abalar pela vaidade e o orgulho, nas realizações do bem, não poderão ter-lhes atribuído a credencial de Jesus, pois lhes falta a modificação de si mesmos, com os valores da humildade e da modéstia, desejando atribuir-se os méritos do pouco que fazem. “ (...) se visitados pela dor, preferem a lamentação e o desespero; se convidados ao testemunho de renúncia resvalam para a exigência descabida e, quase sempre, ao invés de trabalharem pacificamente, lançam-se às aventuras indignas de quantos se perdem na desmesurada ambição. ”  

“Ofereceu Jesus muitas bem-aventuranças. Raros, porém, desejam-nas. É por isto que existem muitos pobres e muitos aflitos que podem ser grandes necessitados no mundo, mas que ainda não são benditos no Céu. ”

A oferta de Jesus continua posta. Quem se habilita? As bem-aventuranças alcançadas são para sempre. Todos trilham na eternidade, uns em paz e felizes, porém, muitos...


                                                                                                      Dorival da Silva

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Dê uma chance a você mesmo

Dê uma chance a você mesmo.

Talvez você tenha feito perguntas como estas:

        Quem sou eu? De onde vim ao nascer?  Para onde irei depois da morte? O que há depois dela?

        Por que uns sofrem mais do que outros? Por que uns têm determinada aptidão e outros não?

        Por que alguns nascem ricos e outros pobres? Alguns cegos, aleijados, débeis mentais, enquanto outros nascem inteligentes e saudáveis? Por que Deus permite tamanha desigualdade entre seus filhos?

        Por que uns, que são maus, sofrem menos que outros, que são bons?

        No entanto, a maioria das pessoas, vivendo a vida atribulada de hoje, não estão interessadas nos problemas fundamentais da existência. Antes se preocupam com seus negócios, com seus prazeres, com seus problemas particulares. Acham que questões como “a existência de Deus” e “a imortalidade da alma” são de competência de sacerdotes, de ministros religiosos, de filósofos e teólogos. Quando tudo vai bem em suas vidas, elas nem se lembram de Deus e, quando se lembram, é apenas para fazer uma oração, ir a um templo, como se tais atitudes fossem simples obrigações das quais todas têm que se desincumbir de uma maneira ou de outra. A religião para elas é mera formalidade social, alguma coisa que as pessoas devem ter, e nada mais; no máximo será um desencargo de consciência, para estar bem com Deus.  Tanto assim, que muitos nem sequer alimentam firme convicção naquilo que professam, carregando sérias dúvidas a respeito de Deus e da continuidade da vida após a morte.

        Quando, porém, tais pessoas são surpreendidas por um grande problema, a perda de um entre querido, uma doença incurável, uma queda financeira desastrosa – fatos que podem acontecer na vida de todo mundo – não encontram em si a fé necessária, nem a compreensão para enfrentar o problema com coragem e resignação, caindo, invariavelmente, no desespero.

        Onde se encontra a solução?

        Há uma doutrina que atende a todos estes questionamentos. É o Espiritismo.

        O conhecimento espírita abre-nos uma visão ampla e racional da vida, explicando-a de maneira convincente e permitindo-nos iniciar uma transformação íntima, para melhor.

        Mas, o que é o Espiritismo?

        O Espiritismo é uma doutrina revelada pelos Espíritos Superiores, através de médiuns, e organizada (codificada) por um educador francês, conhecido por Allan Kardec, no século XIX.

        O Espiritismo é, ao mesmo tempo filosofia, ciência e religião.

        Filosofia, porque dá uma interpretação da vida, respondendo questões como “de onde eu vim”, “o que faço no mundo”, “para onde irei depois da morte”.  Toda doutrina que dá uma interpretação da vida, uma concepção própria do mundo, é uma filosofia.

        Ciência, porque estuda, à luz da razão e dentro de critérios científicos, os fenômenos mediúnicos, isto é, fenômenos provocados pelos espíritos e que não passam de fatos naturais. Todos os fenômenos, mesmo os mais estranhos, têm explicação científica. Não existe o sobrenatural no Espiritismo.

        Religião, porque tem por objetivo a transformação moral do homem, revivendo os ensinamentos de Jesus Cristo, na sua verdadeira expressão de simplicidade, pureza e amor. Uma religião simples sem sacerdotes, cerimônias e nem sacramentos de espécie alguma. Sem rituais, culto a imagens, velas, vestes especiais, nem manifestações exteriores.
       
          E quais são os fundamentos básicos do Espiritismo?

        A existência de Deus que é o Criador, causa primária de todas as coisas. A Suprema Inteligência. É eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom.

        A imortalidade da alma ou espírito. O espírito é o princípio inteligente do Universo, criado por Deus, para evoluir e realizar-se individualmente pelos seus próprios esforços. Como espíritos já existíamos antes do nascimento e continuaremos a existir depois da morte do corpo.

        A reencarnação. Criado simples e sem nenhum conhecimento, o espírito é quem decide e cria o seu próprio destino. Para isso, ele é dotado de livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal. Tem a possibilidade de se desenvolver, evoluir, aperfeiçoar-se, de tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos.  Essa evolução requer aprendizado, e o espírito só pode alcançá-la encarnando no mundo e reencarnando, quantas vezes necessárias, para adquirir mais conhecimentos através das múltiplas experiências de vida. O progresso adquirido pelo espírito não é somente intelectual, mas, sobretudo, o progresso moral.
 
        Não nos lembramos das existências passadas e nisso também se manifesta a sabedoria de Deus. Se lembrássemos do mal que fizemos ou dos sofrimentos que passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, não teríamos condições de viver entre eles atualmente.  Pois, muitas vezes, os inimigos do passado hoje são nossos filhos, nossos irmãos, nossos pais, nossos amigos que, presentemente, se encontram junto de nós para a reconciliação. A reencarnação, desta forma, é a oportunidade de reparação, assim como é, também, oportunidade de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando nossa evolução espiritual. Pelo mecanismo da reencarnação vemos que Deus não castiga. Somos nós os causadores dos próprios sofrimentos, pela lei de “ação e reação”.

        Todavia, nem todas as encarnações se verificam na Terra. Existem mundos superiores e inferiores ao nosso. Quando evoluirmos muito, poderemos renascer num planeta de ordem elevada. O Universo é infinito e “na casa de meu Pai há muitas moradas”, já dizia Jesus.

        A comunicabilidade dos espíritos. Os espíritos são seres humanos desencarnados e continuam sendo como eram quando encarnados: bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou mentirosos. Eles estão por toda parte. Não estão ociosos. Pelo contrário, eles têm as suas ocupações. Através dos denominados médiuns, o espírito pode comunicar-se conosco, se puder e se quiser.

        A comunicação se dá de conformidade com o tipo de mediunidade, sendo as mais conhecidas: pela fala (psicofonia), pela escrita (psicografia), pela visão (vidência) e a intuição, da qual todos guardamos experiências pessoais.

        Como o Espiritismo interpreta o Céu e o Inferno?

        Não há céu nem inferno. Existem, sim, estados de alma que podem ser descritos como celestiais ou infernais. Não existem também anjos e demônios, mas apenas espíritos superiores e espíritos inferiores, que também estão a caminho da perfeição – os bons se tornando melhores e os maus se regenerando.

        Deus não esquece de nenhum de seus filhos, deixando a cada um o mérito das suas obras. Somente desta forma podemos entender a Suprema Justiça Divina.

        Por que o Espiritismo realça a caridade?

        Porque fora dos preceitos da verdadeira caridade, o espírito não poderá atingir a perfeição para a qual foi destinado. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e qualquer que seja a forma pela qual adorem o Criador, eles se estendem as mãos, se entendem e se ajudam mutualmente.
       
             Por que fé raciocinada?

        A fé sem raciocínio não passa de uma crendice ou mesmo de uma superstição. Antes de aceitarmos alguma coisa como verdade, devemos analisa-la bem. “Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.” (Allan Kardec)

        E onde podemos encontrar mais esclarecimentos sobre o Espiritismo?

        Começando pela leitura dos livros de Allan Kardec:

        O LIVRO DOS ESPÍRITOS. O livro básico da Doutrina Espírita. Contém os princípios do Espiritismo sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida futura e o porvir da humanidade.

        O LIVRO DOS MÉDIUNS. Reúne as explicações sobre todos os gêneros de manifestações mediúnicas, os meios de comunicação e relação com os espíritos, a educação da mediunidade e as dificuldades que eventualmente possam surgir na sua prática.

        O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. É o livro dedicado à explicação das máximas de Jesus, de acordo com o Espiritismo e sua aplicação às diversas situações da vida.

        O CÉU E O INFERNO, denominado também “A Justiça Divina Segundo o Espiritismo”. Oferece o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual. Coloca ao alcance de todos o conhecimento do mecanismo pelo qual se processa a Justiça divina.

        A GÊNESE. Destacam-se os temas: Existência de Deus, origem do bem e do mal, destruição dos seres vivos uns pelos outros, explicações sobre as leis naturais, a criação e a vida no Universo, a formação da Terra, a formação primária dos seres vivos, o homem corpóreo e a união do princípio espiritual à matéria. Você poderá ler, ainda, os livros psicografados por Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco, Yvonne Pereira, José Raul Teixeira, etc. e os livros de Léon Denis, Gabriel Delanne e de tantos outros autores, encontrando-se entre eles estudos doutrinários, romances, poesias, histórias e mensagens de alento. 

        Depois desta simples leitura, você poderá ter dúvidas e perguntas a fazer. Se tiver, é bom sinal. Sinal que você está procurando explicações racionais para a vida. Você as encontrará lendo os livros indicados acima e procurando uma Sociedade Espírita seguramente doutrinária e indiscutivelmente Espírita. A Federação Espírita do Paraná e as Uniões Regionais Espíritas poderão fornecer a relação de Sociedades Espíritas de sua localidade.

        Pense nisso. Pense agora.

---------------------------------------------------------------

Ensinamentos extraídos de folheto elaborado pela Federação Espírita do Paraná. www.feparana.com.br; e-mail: fep@feparana.com.br;  momento.com.br; mundoespirita.com.br