sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O homem e a busca pela hegemonia

O homem e a busca pela hegemonia

Observando o contexto mundial da atualidade em diversos recortes sociais, seus governantes expressam notas de poder, seja pela força ou pelo poder econômico. As expressões políticas são contraditórias; os líderes dizem esforçar-se para salvaguardar os interesses dos povos; no entanto, digladiam-se ferozmente.  

Existem aqueles que pregam a proteção a seus governados agredindo e matando supostos ameaçadores, não importando a que distância esses se encontrem.  Filmam o crime para exibi-lo como troféu do justiceiro.  

Outros exercem força desmesurada contra seus próprios governados discordantes de medidas que julgam discriminatórias ou meramente de interesse do poder constituído, matando a muitos e infligindo penas e castigos inomináveis ao bom senso.  

Isso nada mais é que a fraqueza moral em busca de hegemonia. Ausência de uma reflexão profunda daqueles que dirigem parcelas das sociedades do mundo. Não é concebível que esses dirigentes não saibam que suas vidas aqui na Terra são finitas. Tal como morrem os adversários pelas suas sanhas, eles também são de "carne e osso", morrem!  Mesmo que durem cem anos.  

Grande parte desses que guerreiam, que submetem populações aos interesses de uma minoria, que geram grande "riqueza imoral" não ignora, pelo menos relativamente, que a vida não acaba com a morte do corpo. Nem para os potentados nem para aqueles que foram destruídos pelas suas forças bélicas ou econômicas a qualquer pretexto. Naturalmente se encontrarão, depois desta vida, com os que não conseguiram perdoar as ignomínias, as descortesias e as indiferenças sociais. Essas vítimas serão cobradoras implacáveis.  

Analisando a hegemonia de Jesus Cristo e a dos líderes mundiais, percebe-se uma distância infinita. O Guia da Humanidade se doou integralmente aos que conviveram com Ele, sem exigir nenhum tipo de poder temporal — não tinha exércitos, não tinha armas, não tinha veículos nem animais para usar em suas viagens, não tinha casa nem pedra para apoiar a cabeça — no entanto, teve a atenção das maiores forças opressoras de Seu tempo.  

Aqueles que O seguiam ou os que O buscavam na esperança de solução dos seus incômodos físicos e espirituais, tanto quanto os que O perseguiam, eram os que representavam todas as gerações futuras. Os costumes, as culturas, as ciências e as tecnologias e os hábitos se alteraram, mas as necessidades morais não se modificaram. As dores físicas e morais continuam as mesmas, com a diferença de que essas últimas se potencializaram. As dores morais na atualidade do mundo cresceram exponencialmente, em virtude da descrença, do império do materialismo.  

Muitos governantes desejam ser maiores que os próprios governos, em bom número existem empresários que querem ser maiores que seus empreendimentos e grande parte dos indivíduos acha que tudo pode porque não se conhece, não sabe o que está fazendo nesta vida.   

O Senhor Jesus, que já era o Cristo, antes que a Terra existisse, tudo sabia e tudo podia. Ele exemplificou que é necessário doar-se ao todo e ao futuro — ser altruísta. Não há hegemonia de verdade se não for gerada por aquele que serve.  

O materialismo imperante exige o reconhecimento imediato de seu poder, acompanhado dos resultados econômico-financeiros que satisfaçam; no entanto, quase sempre se desdobra em frustração.  

O homem quer ter poder, quer ser reconhecido, no entanto, não sabe possuir. "Aquele que quiser tornar-se grande entre vocês será esse o que vos sirva." - Mateus 20:26. Toda conquista neste mundo, exceto a moral positiva, é transitória, geralmente termina com os seus próprios efeitos.  

Onde estão os grandes imperadores, os grandes reis e os vitoriosos guerreiros das eras antigas, todos passaram; como passarão todos os contemporâneos. A razão de todos estarmos na vida corporal é o aprimoramento da alma, que continuará depois da morte do corpo como espírito, se desejarmos uma continuidade de paz e felicidade; do contrário, preferindo a imoralidade e o crime, encontrarão a tristeza, a amargura e o remorso e tudo o mais que disso resultar.  

Jesus Cristo chegou ao mundo lançando o perfume da esperança aos aflitos, no entanto, foi perseguido desde o seu nascimento. Nunca agrediu, nem disse qualquer palavra que não fosse ensinamento da verdade. Quando do seu julgamento, preferiu ficar em silêncio diante da ignorância das autoridades sobre o "seu reino, que não era deste mundo", pois veio abrir as portas da espiritualidade para os homens humildes, que não eram aqueles que se atribuíam poderes dos quais a vida logo os despojou. 

O senhor, mesmo alçado à cruz, poderia derrotar todos os que O perseguiam, mas os Seu objetivo era abrir as portas da fé em Deus e os caminhos para a vida espiritual; assim, comiserou-se, porque conhecia a miserabilidade espiritual da maioria dos habitantes daquela época e as sementes de amor e fraternidade que lançou ainda não tiveram tempo para frutificar.  Perdoou todos os seus agressores incondicionalmente, porque sabia que não sabiam.  

Será que os homens que buscam a hegemonia nos dias modernos carregam algum traço da personalidade de Jesus Cristo?  Será que a hegemonia destes tempos perduraria mais que os dias dos próprios pretendentes? Depois disto, o que permanecerá? 

Hegemonia... 

                                                Dorival da Silva 


Observação:  Este texto tem base inspirativa no escrito do espírito Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, da obra: Caminho, Verdade e Vida, capítulo 133 - Hegemonia de Jesus, publicada pela Federação Espírita Brasileira, no ano de 1948. 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), por meio do endereço eletrônico abaixo:  

Obras de Allan Kardec – FEB (febnet.org.br). Obras de Allan Kardec – FEB

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Por que não lembramos das outras vidas?

 Por que não lembramos das outras vidas? 

Esse tema é recorrente na vida de muitas pessoas. Para uma porção considerável, nenhuma importância tem, pois nem pensam em tal coisa. Para grande número de pessoas, isso é motivo de descrédito e contestação, embora não apresente argumentação razoável para sustentar a impossibilidade ou a inexistência. 

Falar de lembranças de vidas passadas é retornar às vidas sucessivas; sendo isso um pilar da Doutrina Espírita, que se propagou com o termo "reencarnação".  

Embora se trate de tema comum na vida da humanidade e de todos os tempos, ainda é matéria que não alcançou a compreensão da maioria das pessoas nas diversas gerações. A grande barreira para o entendimento dessa lei natural é a falta de interesse dos indivíduos, e consequentemente das organizações, tais como academias e credos diversos. Há muito tolhimento para se adentrar tal tema em virtude de preconceitos arraigados no tempo, além de indisposições ideológicas irredutíveis.  

Por um lado, o preconceito é força potente, existente nos indivíduos e nas organizações, entravando o caminho da evolução espiritual. Geralmente, a base argumentativa é dogmática, assim não há avanço, pois nesse ponto há congelamento do entendimento espiritual, tal como o dogma encetado. A reencarnação e a morte do corpo formam uma via natural das experiências espirituais de toda a humanidade.  

Os espíritos ligados ao planeta Terra, que necessitam do mecanismo da reencarnação, em uma estimativa relativa, perfazem um número entre 25 e 30 bilhões. Todos os dias desencarnam um número significativo de pessoas, tantos quantos reencarnam. Desencarnar é sair de um corpo de carne e reencarnar é adentrar um novo corpo de carne.  

O que precisa ser considerado é o ser que vai para a espiritualidade e que de lá retorna. Esse é o mesmo. Somos nós mesmos. O ser que pensa, a essência da vida, "eu", "nós". O corpo é o instrumento que fica e desaparece. Não somos o corpo! Somos seres imperecíveis e passíveis de progresso e progresso infinito.  

Todos os registros de fatos em que participamos ativa ou passivamente estão em nós; tal como um registro fotográfico ou, mesmo, um vídeo, mas não nos moldes materiais, mas em impregnações magnético-vibratórias. Assim, todos os eventos em que vivemos em todas as vidas, em corpos, e depois fora deles estão registrados em nosso corpo espiritual, ou seja, no perispírito. A evolução espiritual é o desenvolvimento e o aprimoramento dos atributos do espírito, existentes quando da sua criação, em estado latente. No estágio em que nos encontramos, reconhecemos a inteligência, os sentimentos e o estado de consciência, tudo de modo muito relativo.  

Como o progresso espiritual tem por base a liberdade de agir e a obrigatoriedade de harmonizar tudo aquilo que não realizamos conforme as leis naturais — ou seja, a Lei de Deus —, em virtude do nosso estado de inferioridade moral, isso maculou a consciência, sendo que precisamos de uma nova oportunidade para o reajuste.  

A oportunidade é nascer de novo, para reajustar os efeitos danosos de nossas ações negativas, que nos trouxeram sofrimentos persistentes, numa determinada vida, com a continuidade mais incidente no mundo espiritual, não sendo possível a superação dessas, tendo lembranças e, às vezes, visões das cenas do mal que realizamos e suas consequências, junto àquele ou àqueles que prejudicamos. Diante de tal situação, pedimos a Deus meios de resgatar as dívidas que adquirimos e que nos ofendem moralmente. Sendo a reencarnação um recurso de amor e justiça em favor da criatura, com a aquisição de um novo corpo de carne, quando ocorre um esquecimento relativo dos fatos passados, dando ao pecador a possibilidade de resgatar as suas dívidas com os seus credores, muitas vezes convivendo com eles, na qualidade de pai, mãe, filho, filha... 

Não fosse uma nova existência, com o esquecimento possível do passado, seria improvável que o nosso orgulho cedesse para reatarmos a amizade e a simpatia com quem digladiamos e a quem destruímos em outros tempos. 

Esse tema, que é dos mais relevantes da vida humana, aqui está sendo tratado muito superficialmente. Existem estudos aprofundados sobre isso, principalmente em obras psicografadas por médiuns de reconhecida notoriedade e confiança.  

Repetimos que o esquecimento das experiências de vidas passadas, proporcionado pelo processo da reencarnação, é recurso divino em favor da criatura, como oportunidade de progresso espiritual. Na realidade, o esquecimento em tela somente existe enquanto estamos no estado de vigília. Quando dormimos e nos desprendemos da constrição do corpo físico, temos a possibilidade de lembrar coisas de nosso passado, se nos for favorável e conveniente na caminhada evolutiva, mas todos os registros estão nas camadas profundas de nossa consciência¹.   

Tudo o que existe e não é obra do homem é obra divina, a favor da criatura. A dor, os sofrimentos emocionais graves e os desconfortos morais são resultados das ações daquele que sofre, originários de outras vidas e, às vezes, desta existência. Alguns sofrimentos, que se julgam sem fundamentos, são pagamento de dívidas e resgate de consciência; outros são provações existenciais, certificadoras de méritos evolutivos.  

A lei de Deus é justa e perfeita, o espírito humano é criatura no rumo do estado perfeito, por seus méritos; tem a liberdade de agir, tanto quanto a responsabilidade pelo que advier por suas decisões; e o seu destino é a perfeição. O atraso evolutivo causado pelo desinteresse ou rebeldia é por conta da criatura, sendo a dor o "anjo" que vem em seu socorro.  

O esquecimento do passado é a mão de Deus em nossas vidas, permitindo o alívio dos sofrimentos enquanto permanecíamos na vida espiritual, sendo que tínhamos integral lembrança das mazelas e suas consequências de vidas anteriores. A reencarnação traz o esquecimento e o amortecimento dos sofrimentos, permitindo o reinício da jornada e o reajuste da consciência no rumo do bem.  

1. Consulte a obra: O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Autoria de Léon Denis. 

                                          Dorival da Silva 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), por meio do endereço eletrônico abaixo:  

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