Reencarnação: por que evitar esse tema?
Atualmente, existem debates sobre muitos problemas sociais relevantes, tais como questões sobre raças, gêneros, entre outros, todos de grande importância; mas há um assunto de igual — ou até mesmo, pode-se considerar, de maior relevância —, pois se refere à nossa essencialidade: o Espírito. Isto remete à reencarnação, assunto quase sempre relegado, por preconceito religioso, a um escaninho sem importância.
Intuitivamente, todas as pessoas sabem da existência das vidas sucessivas, pois essa é uma lei natural, embora os fatores ambientais, em maior parte alicerçados pelas organizações religiosas tradicionais, inibam a reflexão sobre essa questão primordial para o Espírito que somos. O desinteresse, ou mesmo o medo gerado pelas pregações dogmáticas, percorre os séculos, formando uma tradição perniciosa à evolução do ser humano aqui na Terra.
A ausência de conhecimento consistente sobre a reencarnação, seus mecanismos e seus porquês gera e alimenta os preconceitos de toda ordem, além de dificultar a condução da vida após a morte do corpo. As fantasias, as resistências e os preconceitos dificultam a compreensão da vida além desta existência. Essas dificuldades, por vezes avultadas, também são alimentadas na vida material, por meio dos preconceitos institucionalizados, que se refletem no Espírito que deixou a matéria, levando-o a não se compreender no outro lado da vida. Os preconceitos morais são, para o Espírito, tal qual a jaça é para o metal precioso: impedem-lhe o brilho — em outras palavras, o entendimento do momento que está vivendo.
Grande parte daqueles que estamos aqui na vida terrena não compreende a razão de alguns serem abastados e outros miseráveis; de uns terem saúde e serem alegres, enquanto outros são doentes e tristes; e ainda daqueles que são portadores de deficiências físicas ou mentais, ou de enfermidades de difícil diagnóstico. Além disso, há os maus, os criminosos e os renitentes na criminalidade. Somente pelo estudo meticuloso das leis da reencarnação, conforme ensinadas pela Doutrina Espírita, é possível encontrar fundamentos e respostas para tais questões. Essa doutrina não é obra de um homem ou dos homens, mas um trabalho do Mundo Espiritual, coordenado pelo Espírito de Verdade, o próprio Jesus Cristo.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” (João 14:16)
Não adianta os potentados da Terra alimentarem, ao longo do tempo, convenções há muito superadas. Da mesma forma que as novas tecnologias suplantam os métodos antigos, trazendo leveza e eficácia aos diversos trabalhos produtivos e facilitando a vida do homem, assim também os conhecimentos doutrinários espíritas abrirão caminhos para a superação dos preconceitos, do comodismo e do desinteresse por aquilo que é de maior importância para a vida espiritual — seja na condição de reencarnado ou desencarnado —, apresentando novas luzes para àqueles que as buscarem.
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)
Antes de Jesus, a reencarnação já era conhecida entre os povos antigos. O Senhor, no diálogo com Nicodemos, estabeleceu um ponto de referência sobre a reencarnação para as gerações futuras; vejamos:
"Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3)
O conteúdo doutrinário espírita está à disposição em suas obras básicas, que são: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, A Gênese e O Céu e Inferno. Essas obras podem ser baixadas, sem custo, no portal da Federação Espírita Brasileira (FEB).
Tratando desse assunto, lembro-me de diálogos em reuniões mediúnicas de esclarecimento a Espíritos em sofrimento ou necessitados de orientação. Muitos se manifestaram — ao longo de décadas desses trabalhos — dizendo-se, alguns, protestantes, outros, sem qualquer vinculação religiosa; e ainda aqueles que se denominavam líderes religiosos, de diversas denominações, mas que não compreendiam a própria situação. Alguns dizem que não deveriam estar falando, pois deveriam estar dormindo e esperando o dia do juízo final; outros relatavam que, embora estivessem em suas casas, ninguém lhes dava atenção — falavam e não eram ouvidos, não lhes administravam mais medicamentos, nem colocavam seu prato à mesa — e não compreendiam o que ocorria. Outros afirmavam não saber como retornar às suas casas. Há também líderes que desejavam voltar aos seus templos para realizar cultos ou usar a tribuna, mas não sabem como fazê-lo como antes. A dúvida, a incerteza e a falta de perspectiva geram sofrimento emocional.
Esses Espíritos carregam consigo condicionantes psicológicas como se ainda estivessem vivendo com o corpo físico. Com os esclarecimentos proporcionados e os recursos magnéticos oferecidos pelos médiuns de incorporação e demais assistentes, o comunicante desperta para a vida espiritual, passando a compreender sua condição de desencarnado.
Convém destacar que essas situações não ocorrem com todos os religiosos ou não, mas apenas com uma parcela, pois em todos os segmentos há pessoas reflexivas que, com seus sentimentos e pensamentos, vão além das convenções e alcançam entendimentos mais amplos sobre a vida espiritual. Aqueles de fé robusta, voltados à elevação espiritual consciente, às práticas do bem junto ao próximo e à caridade, têm maior facilidade de despertar no outro lado da vida, não passando, em geral, pelas dificuldades anteriormente apontadas.
A reencarnação é algo que todos precisamos compreender. Trata-se de um mecanismo evolutivo natural, no qual todos estamos envolvidos, queiramos ou não compreendê-lo.
Dorival da Silva
Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo: