Mostrando postagens com marcador Império Romano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Império Romano. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Paulo de Tarso (São Paulo), o exemplo

 Paulo de Tarso (São Paulo), o exemplo 

O contexto histórico e o Novo Testamentapresentam personalidades importantes para a formação de caracteres evolutivos. Uma delas é Paulo de Tarso, originalmente Saulo e, posteriormente, nas ordens católicas, São Paulo.   

O jovem Saulo, por tradição, obteve educação rigorosa, apresentando uma moral irretocável. Tornou-se doutor das Leis Mosaicas, dando-lhes cumprimento enfático, de acordo com a letra. Perseguiu os cristãos da primeira hora, sendo sua primeira vítima Estêvão. Outros grupos sofreram suas investidas para conter o movimento das novas ideias surgidas com as pregações de Jesus Cristo, que havia sido condenado pela organização religiosa dominante, o farisaísmo. Saulo era uma autoridade nessa organização e não podia permitir que os conceitos nascentes maculassem as tradições das quais era defensor. 

Como jovem sonhador, amou uma bela moça, Abigail, que professava as novas ideias cristãs. Em curto prazo após esse enamoramento, ela adoeceu e veio a falecer. Saulo, muito impetuoso e influenciado pelos preconceitos farisaicos, julgou que a causa da morte de sua amada fora o fato de ela seguir os ensinamentos do Crucificado; por isso, abominava o movimento cristão.   

A sua revolta pela morte da amada se confundia com o compromisso de defesa da sua fé, da qual era zeloso, possuindo também um viés de vingança. Somava-se a isso um certo estado de remorso pela morte de Estêvão, ocorrida sob suas ordens por apedrejamento. Estêvão apenas pregava verdades que Saulo não queria compreender, pois seus sentimentos estavam impregnados pelos véus da tradicionalidade farisaica, alimentados por posições irredutíveis.  

Informado da existência de um movimento cristão liderado por Ananias fora dos domínios de Jerusalém, na cidade de Damasco — província do Império Romano —, conseguiu de seus superiores cartas de autorização para a prisão de cristãos daquele movimento de expansão das ideias novas.  

Agastado pelas lembranças do apedrejamento de Estevão, pela morte de Abigail e por outros crimes contra cristãos de várias condições sociais e inúmeras etnias, partiu em busca de Ananias e seus liderados em Damasco, onde encontrou um anteparo moral irresistível. 

"Saulo, Saulo, por que me persegues?" ¹ Ao perguntar quem falava, obteve a resposta: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues". 

O interpelado, envolvido em luz intensa que fluía dos céus, caiu de sua montaria sobre a areia, perdendo a visão comum. Cego pelo esplendor de Jesus ressuscitado, foi levado por auxiliares para Damasco.  Diante de tão impensável impacto moral e espiritual, e do questionamento fulminante feito a um implacável perseguidor, ficou três dias em reflexões e orações, já que se tratava de um religioso temente a Deus, embora permanecesse sem enxergar. 

Jesus, na condição de espírito e por meio de recursos mediúnicos, pediu a Ananias que atendesse às dificuldades morais de Saulo Este trabalhador, que era o objeto de tal perseguição, manifestou sinceramente seus receios, pois iria ao encontro daquele que o procurava. No entanto, diante de suas reflexões e intuições que recebia do mundo espiritual responsável pelo movimento cristão iniciante, atendeu à orientação e foi socorrer Saulo.  

Feita a aproximação e iniciado o diálogo, Saulo apresentou ímpeto diferenciado, dadas as suas reflexões e as inúmeras recordações da imagem grandiosa de Jesus, em um contexto espiritual excepcionalíssimo, algo que jamais pudera imaginar existir.   

Essas observações espirituais acontecem em um reduzido espaço de tempo, segundos apenas, tal como um "flash", mas permanecem na retina espiritual de quem as contemplou. Tratou-se de uma visão espiritual, tanto que os demais que o acompanhavam nada viram, além da queda da montaria e das consequências físicas apresentadas por Saulo a partir daquele momento.  

Ananias, fraternalmente, falou da mensagem do Cristo e dos objetivos de renovação da alma humana. Percebendo Saulo receptivo, estendeu as mãos sobre a sua cabeça, transmitindo-lhe fluidos magnéticos. Esses recursos foram potencializados pela equipe espiritual que o acompanhava, momento em que caíram as "escamas" dos olhos de Saulo, e ele voltou a enxergar.  

Logo após ter-se convertido ao cristianismo, Saulo assumiu o nome de Paulo. Realizou algumas iniciativas como pregador da Boa Nova, mas não foi bem aceito pelos seguidores de Jesus nem pelos populares, gerando desconfiança, uma vez que sua personalidade farisaica era bem conhecida.  

Afastou-se da sociedade e permaneceu no deserto de Palmira, na região da Síria, por cerca de três anos. Durante esse tempo, estudou os fragmentos dos registros das mensagens de Jesus, fez muitas reflexões e trabalhou como tecelão para a sua manutenção.  

Agora Paulo, com o estágio voluntário de estudos das mensagens cristãs, com esforços do autoconhecimento e com a modificação de sua impetuosidade, domando o homem irascível, recomeça o trabalho de divulgador da mensagem de Jesus Cristo.  

Em suas incursões entre os gentios, teve vida rude, encontrando dificuldades de todas as ordens: emocionais, materiais e comportamentais. Esses eram povos sem crença e sem ordem social satisfatória. A mensagem de que era portador, que visava nova ordem comportamental entre os indivíduos de respeito, de justiça e amor, não encontrava eco naqueles corações ainda indomados, que agiam pelos seus próprios conceitos.  

Esse novo apóstolo de Jesus sofreu denúncias, acusações, prisões arbitrárias e torturas após muitos esforços para a implantação da mensagem de Jesus entre os gentios. Envelhecido, doente e fisicamente desgastado, foi condenado à morte por decapitação.  

A trajetória de Paulo pela vida, com os choques existenciais que sofreu, permitiu-lhe encontrar e viver as verdades reveladas por Jesus Cristo. A autoanálise, as reflexões e a mudança comportamental em relação a si mesmo e aos outros fizeram dele, embora precário corporalmente, um ser espiritual renovado e enaltecido pela sua condição moral relevante no contexto das gerações da Terra.   

Praticamente 2.000 anos se passaram e as suas orientações e testemunhos cristãos continuam oferecendo efeitos nos corações que se interessam pelos exemplos daqueles que, espiritualmente, se divinizaram pelos seus próprios esforços. Paulo lançou luzes pelos caminhos por onde transitou com tal intensidade que continua iluminando a humanidade, desejosa de renovação espiritual.  

Existe na obra O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, no capítulo XV, um registro com o título "A Caridade segundo São Paulo", que demonstra a grandeza de sua compreensão das relações humanas e divinas, como segue: 

"Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e se tiver toda a fé, até ao ponto de transportar montes, e não tiver caridade, não sou nada. E se eu distribuir todos os meus bens em sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, se, todavia, não tiver caridade, nada disto me aproveita. A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não obra temerária nem precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. A caridade nunca jamais há de acabar, ou deixem de ter lugar as profecias, ou cessem as línguas, ou seja, abolida a ciência.  Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três virtudes; porém a maior delas é a caridade." (1 Coríntios 13:1-7 e 13). 

Saulo, Paulo, São Paulo; devemos segui-lo nos tempos modernos para encontrarmos luz própria, pela persistência, abnegação, compreensão e vivência da mensagem transformadora trazida por Jesus Cristo e oferecida à humanidade de todos os tempos. 

Sigamos o exemplo de Saulo, Paulo...                           

1. Atos 9:4  

                                         Dorival da Silva. 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), por meio do endereço eletrônico abaixo:  

Obras de Allan Kardec – FEB (febnet.org.br). Obras de Allan Kardec – FEB.