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sábado, 31 de outubro de 2026

Homenagem aos finados – 2026

                                   Homenagem aos finados – 2026 

Em outras oportunidades escrevi sobre os finados; parece não existir nada mais a escrever além daquilo que já registramos. Será isso uma verdade? 

Lembrar de nossos parentes e amigos que passaram pelo fenômeno da morte é adentrar um novo continente da vida, vencendo os limites das convenções e concepções sobre a morte enquanto fim da constituição orgânica existentes neste mundo.  

Há ainda uma predominância da ideia de que o ser humano é o próprio corpo, ou, pelo menos, com ele se confunde. A grande maioria das pessoas não compreende que a constituição física é um instrumento que viabiliza a permanência de um ser não totalmente material na existência cotidiana de relações como as conhecemos.  

Na relação de vida entre o masculino e o feminino, dá-se origem a um organismo fetal que será o habitat de um ser não material que o preexiste, que é um espírito, que, inclusive, pode ser bem mais velho que os próprios futuros pais. 

O que seria o organismo em formação no corpo materno se não tivesse um ser que o utilizaria para uma existência? Apenas uma massa carnal, informe e sem propósito. O modelador do corpo em formação é aquele que vai existir nele no mundo material. Esse espírito que se prepara para entrar na vida material traz consigo um revestimento sutil, denominado pelos postulados espíritas de perispírito, um corpo semimaterial, que vem e retorna com o seu titular, que essencialmente não é matéria, é propriamente o Espírito, esse que é imaterial.  

Depois do período gestacional, esse corpo tendo completado o primeiro estágio, surge entre os chamados vivos e será guiado pelos pais até que se torne capaz de viver de forma autônoma. Assim, constrói a sua trajetória evolutiva estudando, trabalhando, constituindo família e vivenciando as experiências programadas no processo da reencarnação e demais ocorrências naturais da existência física.  

Concluída a sua trajetória e esgotadas as suas energias vitais, deixa o organismo esgotado e retorna à sua origem, a vida no campo espiritual. O corpo, sem a vitalização dos elementos espirituais que ali agregavam os órgãos — célula a célula —, em pouco tempo se desintegra. Isso é o que se chama morte do corpo.  

A partir desse ponto, o ser que conhecemos por um nome, que nos é muito caro, continua existindo plenamente e jamais morrerá. Certamente olhará pelos amores que ficaram e os aguardará nos seus retornos, no futuro, à vida plena, pois de lá todos viemos.  

A homenagem aos finados é justa, mas quando realizada pela lembrança daqueles que nos anteciparam no retorno ao mundo espiritual, por tudo que proporcionaram de bem e bom a nós mesmos e à comunidade onde viveram. A homenagem deve ser ao ser espiritual e não aos seus despojos. Portanto, o que mais emociona os nossos finados são as orações ditas pelo coração; todas as demais ornamentações no chamado "campo santo" têm o seu valor, mas é relativo, nem sempre causam maiores emoções, pois nelas não participam os sentimentos e, quase sempre, são para atender a uma obrigação.   

A melhor homenagem aos finados é uma prece sentida, realizada por um coração feliz e reconhecido. 

                                  Dorival da Silva 

 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), por meio do endereço eletrônico abaixo:  

Obras de Allan Kardec – FEB (febnet.org.br). Obras de Allan Kardec – FEB