sexta-feira, 25 de maio de 2012

A REGENERAÇÃO DA HUMANIDADE - 1ª parte


Aqui transcrevemos as instruções dos Espíritos sobre “A Regeneração da Humanidade”, que é complemento para a argumentação sobre o tema “Os Tempos são Chegados” – Allan Kardec --, que foi apresentado neste blog em cinco partes.  Dada à extensão da exposição, e por ser muito esclarecedora, não fizemos nenhuma condensação (resumo), pelo que a apresentamos em dois momentos, visando melhor possibilidade de leitura.  
                                                                              Dorival da Silva
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A REGENERAÇÃO DA HUMANIDADE

(...).  (...) a seguir é o resumo de várias conversas que tivemos, através de dois dos nossos médiuns habituais, em estado de sonambulismo extático, e que, ao despertarem, não conservam nenhuma lembrança. Coordenamos metodicamente as ideias, a fim de lhes dar mais sequência, suprimindo todos os detalhes e acessórios supérfluos. Os pensamentos foram reproduzidos rigorosamente, e as palavras também são textuais, tanto quanto foi possível recolhê-las pela audição.

  ALLAN KARDEC
Revista Espírita, outubro de 1866.



INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS SOBRE A REGENERAÇÃO DA HUMANIDADE

(Paris, abril de 1866 – Médiuns: Srs. M. e T., em sonambulismo)

Os acontecimentos se precipitam com rapidez, de modo que não vos dizemos mais, como outrora: “Os tempos estão próximos”; agora dizemos: “Os tempos são chegados.”

Por estas palavras não entendais um novo dilúvio, nem um cataclismo, nem uma perturbação geral. Convulsões parciais do globo ocorreram em todas as épocas e ainda se produzem, porque inerentes à sua constituição, mas são sinais dos tempos.

Entretanto, tudo quanto está predito no Evangelho deve realizar-se e se cumpre neste momento, como reconhecereis mais tarde. Mas não tomeis os sinais anunciados senão como figuras, dos quais é preciso captar o espírito, e não a letra. Todas as Escrituras encerram grandes verdades sob o véu da alegoria, e é porque os exegetas se apegaram à letra que se extraviaram. Faltou-lhes a chave para a compreensão de seu verdadeiro sentido. Esta chave está nas descobertas da Ciência e nas leis do mundo invisível, que o Espiritismo vos vem revelar. Doravante, com o auxílio desses novos conhecimentos, o que era obscuro torna-se claro e inteligível.

Tudo segue a ordem natural das coisas e as leis imutáveis de Deus não serão alteradas. Assim, não vereis milagres, nem prodígios, nem nada de sobrenatural, no sentido vulgar ligado a estas palavras.

Não olheis o céu para aí buscar sinais precursores, pois não os vereis e os que vo-los anunciam vos enganarão; mas olhai em torno de vós, entre os homens; é ai que os encontrareis.

Não sentis como um vento que sopra na Terra e agita todos os Espíritos? O mundo está à espera e como tomado por um vago pressentimento à aproximação da tempestade.

Contudo, não acrediteis no fim do mundo material; a Terra progrediu desde a sua transformação; deve progredir ainda, e não ser destruída. Mas a Humanidade chegou a um de seus períodos de transformação e a Terra vai elevar-se na hierarquia dos mundos.

Não é, pois, o fim do mundo material que se prepara, mas o fim do mundo moral; é o velho mundo, o mundo dos preconceitos, do egoísmo, do orgulho e do fanatismo que se desmorona; cada dia leva consigo os seus destroços. Tudo acabará para ele com a geração que se vai, e a geração nova erguerá o novo edifício que as gerações seguintes consolidarão e completarão.

De mundo de expiação, a Terra está fadada a tornar-se um dia um mundo feliz, e nela habitar será uma recompensa, ao invés de uma punição. O reinado do bem aí deve suceder o do mal.

Para que os homens sejam felizes na Terra, é necessário que esta só seja povoada de bons Espíritos, encarnados e desencarnados, que não quererão senão o bem. Sendo chegado esse tempo, uma grande emigração se realiza neste momento entre os que a habitam; os que fazem o mal pelo mal e não são tocados pelo sentimento do bem por não serem dignos da Terra transformada, dela serão excluídos, porque aí trariam novamente a perturbação e a confusão e seriam um obstáculo ao progresso. Irão expiar seu endurecimento nos mundos inferiores, para onde levarão os conhecimentos adquiridos e terão por missão fazê-los progredir. Serão substituídos na Terra por Espíritos melhores, que farão reinar entre eles a justiça, a paz e a fraternidade.

Já dissemos que a Terra não deve ser transformada por um cataclismo, que aniquilaria subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova a sucederá, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas. Tudo se passará, pois, exteriormente, como de hábito, com uma única diferença, mas esta diferença é capital: uma parte dos Espíritos que aí se encarnavam não mais encarnarão. Numa criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e devotado ao mal que se tivesse encarnado, será um Espírito mais adiantado e devotado ao bem. Trata-se, pois, muito menos de uma nova geração corporal que de uma nova geração de Espíritos. Assim, os que esperavam ver a transformação operar-se por efeito sobrenaturais e maravilhosos ficarão decepcionados.

A época atual é de transição; os elementos das duas gerações se confundem. Colocados em ponto intermediário, assistis à partida de uma e à chegada da outra, e cada um já se assinala no mundo pelos caracteres que lhes são próprios.

As duas gerações que sucedem uma à outra têm ideias e pontos de vista opostos. Pela natureza das disposições morais, mas, sobretudo, das disposições intuitivas e inatas, é fácil distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.

Devendo fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, aliadas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é sinal indubitável de certo grau de progresso anterior. Não será composta exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas daqueles que, tendo já progredido, estão predispostos a assimilar todas as ideias progressivas, e aptos a secundar o movimento regenerador.

Ao contrário, o que distingue os Espíritos atrasados é, primeiro, a revolta contra Deus pela negação da Previdência e de todo poder superior à Humanidade; depois propensão instintiva às paixões degradantes, aos sentimentos antifraternos do egoísmo, do orgulho, do ódio, do ciúme, da cupidez, enfim, a predominância do apego a tudo o que é material.

Tais os vícios de que a Terra deve ser expurgada pelo afastamento dos que se recusam a emendar-se, porque são incompatíveis com o reinado da fraternidade e porque os homens de bem sempre sofrerão com o seu contato. A Terra ficará livre deles e os homens marcharão sem entraves para o futuro melhor, que lhes está reservado aqui, como prêmio por seus esforços e por sua perseverança, esperando que uma depuração ainda mais completa lhes abra a entrada dos mundos superiores.

Por está emigração de Espíritos não se deve entender que todos os Espíritos retardatários serão expulsos da Terra e relegados a mundos inferiores. Muitos, ao contrário, a ela voltarão, porque muitos cederam ao arrastamento das circunstâncias e do exemplo; neles a casca era pior que a essência. Uma vez subtraídos à influência da matéria e dos preconceitos do mundo corporal, a maioria verá as coisas de maneira completamente diferente do que quando vivos, do que tendes numerosos exemplos. Nisto são ajudados pelos Espíritos benevolentes, que por eles se interessam e que se desvelam em os esclarecer e em lhes mostrar o falso caminho que seguiram. Por vossas preces e exortações, vós mesmos podeis contribuir para sua melhoria, porque há solidariedade perpétua entre os mortos e os vivos.

Aqueles, pois, poderão voltar, com o que serão felizes, pois isto será uma recompensa. Que importa o que tiverem sido ou feito, se forem animados de melhores sentimentos! Longe de serem hostis à sociedade e ao progresso, serão auxiliares úteis, porque pertencerão à nova geração.

Assim, só haverá uma exclusão definitiva para os Espíritos rebeldes por natureza, aqueles que o orgulho e o egoísmo, mais que a ignorância, tornam-se surdos à voz do bem e da razão. Mas, mesmo estes não estão votados a uma inferioridade perpétua, e dia virá em que repudiarão o seu passado e abrirão os olhos à luz.

Orai, pois, por esses endurecidos, a fim de que se emendem enquanto é tempo, pois o dia da expiação está próximo.

Infelizmente, por desconhecer a voz de Deus, a maioria persistirá em sua cegueira e sua resistência marcará o fim de seu reino por lutas terríveis. Em seu desvario, eles próprios cavarão a sua ruína; impelirão à destruição, que engendrará uma porção de flagelos e calamidades, de sorte que, sem o querer, apressarão o advento da era da renovação.

E como se a destruição não marchasse bastante depressa, ver-se-ão os suicídios multiplicando-se em proporção nunca vista, até entre as crianças. A loucura jamais terá ferido maior número de homens que, mesmo antes da morte, serão riscados do número dos vivos. São estes os verdadeiros sinais dos tempos. E tudo isto se realizará pelo encadeamento das circunstâncias, assim como dissemos, sem que em nada sejam derrogadas as leis da Natureza.

Todavia, através da nuvem sombria que vos envolve, e em cujo seio brame a tempestade, já vedes surgirem, os primeiros raios da era nova! A fraternidade assenta os seus fundamentos em todos os pontos do globo e os povos se estendem as mãos; a barbárie se familiariza ao contado da civilização; os preconceitos de raças e de seitas, que derramaram rios de sangue, se extinguem; o fanatismo e a intolerância perdem terreno, enquanto a liberdade de consciência introduz-se nos costumes e se torna um direito. Por toda parte fermentam as ideias; vê-se o mal e experimentam-se os remédios, mas muitos marcham sem bússola e se perdem nas utopias. O mundo está num imenso processo de gestão, que durará um século. Nesse trabalho, ainda confuso, vê-se, no entanto, dominar uma tendência para um objetivo: o da unidade e da uniformidade que predispõem à fraternização.

São ainda sinais do tempo. Mas, enquanto os outros são os da agonia do passado, estes últimos são os primeiros vagidos da criança que nasce, os precursores da aurora que o próximo século verá levantar-se, porque, então, a nova geração estará em toda a sua força. Tanto a fisionomia do século dezenove difere da do século dezoito, sob certos pontos de vista, quanto a do século vinte será diferente da do dezenove, sob outros pontos de vista.

Um dos caracteres distintivos da nova geração será a fé inata; não a fé exclusiva e cega, que divide os homens, mas a fé raciocinada, que esclarece e fortifica, que os une e os confunde num comum sentimento de amor a Deus e ao próximo. Com a geração que se extingue desaparecerão os últimos vestígios da incredulidade e do fanatismo, igualmente contrários ao progresso moral e social.


                                                     

  ALLAN KARDEC
Revista Espírita, outubro de 1866.


 - continua na próxima publicação - 


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