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sexta-feira, 13 de março de 2026

Terra e Céu

                                                          Terra e Céu 

Quando se analisa o comportamento humano na relação entre Terra e Céu, grande parte das pessoas encontra-se um tanto aturdida, sem rumo. Essa multidão tem uma percepção da vida baseada quase que exclusivamente na horizontalidade existencial. Embora guarde, na intimidade, ainda de forma fragmentária, valores espirituais bastante acanhados, que aguardam a intercessão de terceiros para buscar os recursos espirituais.  

Em uma visão ampla, há entendimento de que todas as dificuldades da vida se resolvem com os recursos modernos da medicina e das tecnologias atuais. Conquanto as dificuldades humanas também necessitem dos meios profissionais e tecnológicos disponíveis, é preciso compreender que muitos desequilíbrios orgânicos são reflexos da desarmonia espiritual — que pode ter seu início nesta existência, sendo mais provável, contudo, que tenha sido trazida de vidas passadas.   

Assim, muitos dos problemas que perturbam grande parte dos indivíduos são de natureza espiritual.  A Terra funciona como um grande hospital; todos os que estão vivenciando essa experiência reencarnatória trazem os seus desequilíbrios, com a possibilidade de reajustes, tendo a consciência de que são espíritos vivendo em um corpo de carne, em um ambiente e em circunstâncias que lhes permitem suplantar aquilo que os aflige.  

maioria das pessoas, entretanto, direciona o foco para a solução das suas dificuldades quase que exclusivamente aos meios e recursos materiais, cuidando da forma física como se fosse essencialmente a própria identidadeCom isso, submete-se a diversas intervenções e aplicações no organismo, quando os problemas de maior relevância a serem tratados são espirituais.  

O equipamento carnal que se apresenta com toda a sua vitalidade na mocidade naturalmente vai perdendo o viço com transcorrer dos anos. Isso demonstra que o arcabouço físico é um elemento auxiliar do Espírito e possui um tempo limitado de duração, sendo visível o seu desgaste e a sua finitude.  

Para demonstrar que a vida na Terra não se resume ao corpo, mas o Espírito que nele habita é imortal, consultamos o que narra o apóstolo João (20:19 e 20):  

"Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco. E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor".  

Jesus Cristo apresenta-se naturalmente aos seus discípulos, mostrando-se e dialogando com eles, em um fenômeno de aparição. O seu corpo carnal — cuja vitalidade todos haviam visto extinguir-se na cruz — fora colocado em um sepulcro.  

Mesmo considerando que a vida na Terra seja comparada a uma escola, a um hospital ou, ainda, a uma penitenciária, compreendemos que tal experiência é compatível com o nosso estado espiritual. Trata-se de uma condição temporáriadestinada a favorecer e agilizar o nosso aperfeiçoamento. 

Quando ignoramos a nossa condição de seres espirituais e damos importância apenas a uma vida puramente material, agravamos as nossas dificuldades, quase sempre perdendo a oportunidade de melhoramento nesta reencarnação. 

Como seres espirituais que somos, é imprescindível também verticalizar as nossas atenções durante a vida, para não perdermos o fio condutor de interação com a espiritualidade de onde viemos. Existem os Amigos espirituais, mais especificamente o nosso Anjo da Guarda, responsável por acompanhar a nossa reencarnação. Acima de todos, temos o Senhor Jesus, que governa o nosso planeta e que, há mais de dois mil anos, veio pessoalmente orientar as gerações humanas. Suas verdades permanecem irrefutáveis, pois são verdades eternas.  

O espírito Emmanuel, mentor de Francisco Cândido Xavier, analisando o mesmo tema, esclarece e depois faz indagações¹ 

"Jesus demonstra-lhes a sobrevivência e deseja-lhes paz. 

Será isso insuficiente para a alma sincera que procura a integração com a vida mais alta?  

Não envolverá, em si, grande responsabilidade o fato de reconhecerdes a continuação da existência além da morte, na certeza de que haverá exame dos compromissos individuais?" 

Pergunta-se, então, se a demonstração pessoal que Jesus fez da continuidade da vida após a morte do corpo, na presença dos apóstolos, não serve para toda a humanidade — podemos dizer, para todas as gerações futuras, uma vez que aqueles primeiros cristãos representavam simbolicamente as gerações que adviriam.  

mentor indaga: "Será isso insuficiente para a alma sincera...?" e ainda: "Não envolverá, em si, grande responsabilidade...?" Se somos sabedores da continuidade da vida depois da morte, é natural compreender que haverá prestação de contas do planejamento assumido antes da reencarnação.  

Quando mantemos uma conexão com os planos superiores da espiritualidade durante a existência material, conscientes de que tudo que realizamos traz consequências e responsabilidades, vamos moderando os ímpetos egoísticos, adquirindo humildade, fortalecendo a confiança em Deus e preparando-nos para um retorno mais sereno e pacífico. 

Entre a Terra e o Céu existe um caminho permanente de ida e vinda, que se percorre com a fé ativa, oração sincera e meditação nobre e sadia.  

  1. Obra: Caminho, Verdade e Vida, capítulo 53. 

                              Dorival da Silva 

 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo: