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domingo, 18 de janeiro de 2026

A vida é a eternidade

                                                    A vida é a eternidade 

O Espírito Emmanuel, em um de seus escritos¹, expressa, em determinado parágrafo, a frase: “Esquecem-se de que a vida é a eternidade e de que a existência terrestre não passa, simbolicamente, de 'uma hora'”. Isso deveria ser motivo de reflexão para todos os indivíduos que se encontram na Terra.  

Quando vemos e ouvimos, por meio dos meios de comunicação, a vida tumultuada em muitas partes do planeta — conflitos armados entre nações; interferências de governos sobre outros mais fracos; exibições bélicas arrogantes e promessas de agressões de determinado país contra este ou aquele, na pretensão de supremacia pela força —, não seria oportuno refletir sobre a expressão do Espírito orientador: “ a existência terrestre não passa, simbolicamente, de 'uma hora'? 

A busca de hegemonia de um povo sobre outros, pela força e agressividade, embora seja liderada por um indivíduo que representa uma nação — eleito por seus partícipes —, envolve todos os que compartilham do mesmo desejo hegemônico. As energias somadas desses participantes se acumulam naquele que lidera. Embora as responsabilidades pelas decisões recaiam de forma mais direta sobre o dirigente, todos os liderados compartilham delas e respondem pelas consequências negativas no tempo sem fim. 

Por outro lado, existem os conflitos de interesses intestinos entre os povos, desde pequenos grupos até nações, nos diversos recantos do mundo. São as questões dos tráficos de drogas e sexual; de órgãos e do escravagismos humano; a desconsideração pelos modos de vida das minoriasalém do desrespeito à religiosidade de alguns segmentos, simplesmente por se ignorar a sua efetividade na vida de seus professantes.  

Na atualidade, encontra-se o paradoxo da comunicação instantânea ao alcance de quem a desejar. Embora sua efetividade ajude na melhoria da vida produtiva das pessoas e das empresas, ela também tem sido utilizada a serviço da mentira e da deslealdade. Essas práticas alcançam um número incontável de internautas, quacolhem inverdades como se verdades fossem, pela ausência do filtro da reflexão, gerando prejuízos morais de grande monta, cujas consequências os responsáveis terão que reparar. Como tais ações são deliberadas e delas se extraem proveitos econômicos, influências políticas e de poder, certamente uma existência física não será suficiente para os resgates necessários — considerando que os desatinos ocorrem em frações de segundos, mas as reparações se dão conforme o estado da consciência comprometida. 

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Grande parte das pessoas que vivem no mundo, mesmo aquelas consideradas boas, moderadas e responsáveis na condução de suas existências, não reflete sobre a vida futura além desta. Nem mesmo consideram que não fomos criados apenas a partir deste nascimento. É importante saber, como ensina a Doutrina Espírita, que um dia fomos criados por Deus, simples e ignorantes — quando isso ocorreu, não há como avaliar —, mas uma coisa é certaapresentamo-nos hoje com todos os valores intrínsecos em nossas almas, construídos e conquistados ao longo do tempoSomos o que somosCarregamos virtudes e mazelas que nos pertencem, heranças de todas as vidas passadas.  

Assim, a vida precisa ser objeto de análise: cada indivíduo é único; é um ser espiritual — esteja em um corpo físico ou fora dele —teve início há milênios e jamais terá fim.  

Quando o Senhor Jesus esteve na Terra, veitrazer o   roteiro da vida espiritual, visando à libertação da humanidade de seus sofrimentos morais, para que compreendesse que, na vida material, tudo é transitório. Contudo, todas as nossas decisões trazem consequências. Espera-se, portanto, que realizemos apenas ações boas e positivas, para melhor aproveitamento das experiências de nossas existências, inclusive com vistas  à restauração de mazelas (dívidas morais) trazidas de tempos passados ou mesmo do presente, por meio de nossos melhoramentos espirituais — “A caridade cobre uma multidão de pecados, como ensina o apóstolo Pedro (1 Pedro 4:8). 

É preciso considerar que o livre-arbítrio, a inteligência e o discernimento — que permitem as decisõesbem como as responsabilidades — são atributos do Espírito, inatos em todas as pessoasTodos temos a liberdade que o livre-arbítrio nos concede, mas ela é acompanhada da responsabilidade, que nos ensina o limite dessa liberdade. 

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Em todos os países do mundo existem leis civis, criminais e outras destinadas a manter uma ordem social desejada. Constantemente, elas são atualizadas e ampliadas, porque novas situações desarmonizam a vida social, gerando insegurança. Cabe a pergunta: quem desarmoniza a vida social? Sabemos que são alguns indivíduos que a compõem — os rebeldes, espíritos deseducados para o bem. É imprescindível que a sociedade, precatando-se, os contenha em presídios, inclusive a favor deles próprios, para que não ampliem suas listas de crimes.  

Mas, como “a vida é a eternidade” todos os seres criados estão nessa esteira evolutiva, o objetivo geral é que alcancem a plenitude espiritual — esse é o programa divino. Cada individualidade se apresenta conforme as suas obras. Observa-se no meio sociala existência de pessoas que, desde a infância, apresentam doenças emocionais e neurológicas, de diversas etiologias e com níveis variados de intensidadeHá, ainda, as diferentes plegias: algumas congênitas, outras adquiridas ao longo da vida.  

Essas ocorrências estão em crescimento, tanto em quantidade quanto em gravidade, em decorrência de desvios comportamentais e de crimes praticados deliberadamente em vidas anteriores.  

Não há males praticados cujas consequências não recaiam sobre o seu autor — ou autores — em algum momento do tempo sem fim. Deve-se considerar, aindaque colaboradores, incentivadores e até admiradores do malfeito recebem sua cota de responsabilidade e sofrem de acordo com a influência exercida nas situações.  

Todas as ocorrências em nossas famílias, como o nascimento de filhos que necessitam de cuidados especiais imediatos ou ao longo da infância — demandando a atuação de profissionais especializados para a possível equalização de uma vida regular —, são frutos de ações de outras existências, instaladano próprio ser espiritualTodos, ou grande parte daqueles que compõem o contexto familiartiveram alguma participação nas circunstâncias que deram origem a tais ocorrências morais em outros tempos, que agora se refletem como desequilíbrios emocionais na forma física. Não podemos esquecer que os omissos também participam dos resgates 

As ações nesta vida, muitas vezes entendidas como inocentes, podem ser maléficas, ainda que travestidas de pseudojustificativas de uso corrente, como: “todo mundo faz”Outras situações imorais, não alcançadas pela justiça humana, tornam-se hábitos ou modismos considerados sem importância, tais como: infidelidade, deslealdade velada, sensualismo passivo e ativo, publicações e compartilhamentos de mentiras nas redes sociais — que induzem pessoas incautas a cometerem erros contra si mesmas contra terceiros —, ou mesmo o comprazimento com notícias fictícias de desgraças anunciadas.  São infinitas as ocorrências a serem consideradas. Sempre haverá retorno para aqueles que geram ações nocivas, com consequências que afetam negativamente a vida em algum ponto do caminho.   

— Seria até de se questionar: essas coisas ninguém sabe, ficam no anonimato. 

— Isso não é verdade, porque o autor sabe. E isso é o suficiente. Você sabe o que fez e com que intenção. Antes de qualquer fato se concretizar, ele ocorre no pensamento e atende à vontade; assim, fica registrado na consciência, e todos os seus frutos e desdobramentos lhe pertencem.  

                                                    *   *   * 

Ao avaliar o que foi expostoe que poderia ser ampliado significativamente, somos levados a estabelecer um credo: apesar das dificuldades, somente o bem vale a pena ser realizado, pois ele nos retornará em forma de alegrias e felicidades, ensejando um futuro de confiança, com novas e grandes realizações, seja na espiritualidade, seja em nova existência, em novo corpo e em novo tempo.  

Quase sempre nos reencontraremos com as nossas obras. Na vida como Espíritos imortais, teremos uma existência baseada em afinidades — em similitudes — com aqueles com quem simpatizamos e que simpatizam conosco. Em retorno, em nova reencarnaçãonos fixaremos em ambientes sociais que ajudamos a construir em outros tempos, exceto quando, na programação da nova vida terrena, se fizerem escolhas especiais para novos tentames evolutivos, em benefício próprio ou de terceiros. 

Esquecem-se de que a vida é a eternidade e de que a existência terrestre não passa, simbolicamente, de ‘uma hora’”.  

Por que não lutarmos contra as nossas imperfeições e vivenciarmos as aflições dos reajustes com confiança nas promessas de Jesus Cristo? O tempo de lutas não dura mais do que o necessário para a solução das dívidas grafadas em nossa consciência.  

Cuidemos conscientemente de nós mesmos e ajudemos, dentro do possível, aqueles que procuram auxílio; assim, não teremos tempo para novos desatinos morais. 

“A vida é a eternidade.” 

Dorival da Silva 

1. Op. Caminho, Verdade e Vida, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, cap. 88 – Velar com Jesus.  


Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo: