quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Evangelho de Jesus

     É comum discorrer-se sobre o Evangelho de Jesus, com citações de capítulos e versículos, ovações e louvações, promessas de curas e afastamento de “demônios”, em nome do Senhor.

    São práticas tradicionais, mas quando o cristão irá libertar-se de certas peias, que atrasam a evolução do “Ser”, dificulta o caminho ascensional para Deus, que aguarda o homem conquistar sua liberdade. Logo se percebe que o Evangelho de Jesus não é para ser decorado e sim compreendido e vivenciado.


      O Evangelho é o pontilhado do caminho. É o demarcador para que o “Ser” humano tenha norte na sua trajetória. No entanto, é indispensável que cada um percorra o caminho do aprendizado com o roteiro salvador de Jesus.


    Deus, na sua sabedoria, colocou o livre-arbítrio como atributo da alma humana, para que com ele possa fazer a sua romagem na vida material com discernimento, responsabilidade e bom senso, buscando sempre a harmonia e a paz. Quando foge por sua vontade a essa orientação natural, sofre imediatamente as consequências, que são: dores, medos, aflições, insegurança, enganos, ilusões, descrédito, frustrações...


    O retorno ao caminho harmonioso e feliz exige esforço, arrependimento, refazimento, perdão, renúncia, resignação e firme propósito de não desviar-se mais da rota equilibrada.


     Toda atitude intencional de realizar o mal, a quem quer que seja, resulta numa mancha a ser limpa; dependendo da intenção e da intensidade da pretensão pode desdobrar em resultado de difícil solução, gerando perturbações emocionais, desequilíbrio da saúde física e mental.


      Pedir para que outrem interfira a seu favor com orações e outras práticas, tem valor relativo, na grande parte dessas interferências, pois o dever é individual e todos devem cultivar o hábito da oração, do recolhimento, da autorrenovação, da reforma íntima.


 Crescer espiritualmente é aprender vivenciando, é transformação interior, é tornar-se menor para o mundo material, isto é, dar a importância devida a cada coisa, sem se descurar do que é mais importante: o Espírito. É esta essência que continuará após o término do período carnal, carregando as virtudes conquistadas e as pendências que exigirão soluções.


     Não é possível encontrar-se em estado de plenitude espiritual (o Céu que se procura) sem que se haja eliminado as fraquezas morais, conquistado inteligência compatível com a grandeza das coisas universais, daí a necessidade da fé-raciocinada.


      É por demais importante o indivíduo conquistar a sua fé com conhecimento de causa, não é possível o salvamento da alma, do estado de ignorância, se não houver esforço, disponibilização de si mesmo para a busca mais importante. Por isso, não se pode entregar a conquista do mais relevante a terceiro, por mais preparado ou honrado que seja, pois a conquista é individual.


 Embora seja justo procurar ajuda, orientação, esclarecimento, junto àqueles que são mais experientes, mas sem o esforço próprio, sem seu próprio crescimento não é possível ser feliz. Ninguém pode ser feliz definitivamente com a conquista de outrem; como ninguém poderá ser infeliz definitivamente com a desgraça de outrem.
 Felicidade ou infelicidade é conquista pessoal.


    “Amar ao próximo como a si mesmo” é caminho seguro, pois é a expansão dos melhores valores em construção, que não são materiais, ao encontro das necessidades alheias que também não são materiais.

Dorival da Silva

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