quarta-feira, 4 de março de 2026

"Fumus" sobre a Humanidade

                              "Fumus" sobre a Humanidade 

As imagens das guerras iniciantes nestes últimos dias, estampadas pelos meios de comunicação, estarrecem aqueles de bom senso. O mundo está, há mais de dois mil anos, de posse da orientação mais significativa para a elevação do patamar evolutivo do espírito humano"Amarás o teu próximo como a ti mesmo." E não se pode esquecer a sua primeira parte: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu pensamento". (Mateus 22:37-39). 

Argumentações ou justificativas, sejam políticas, econômicas, de poder hegemônico ou de forças ideológicas e religiosas, nenhuma tem conformidade com as orientações acima exaradas por Jesus Cristo.  

Em todos os tempos da humanidade da Terra houve guerras, com os recursos tecnológicos de cada épocapara atender, relativamente, às mesmas finalidades e interesses demonstrados presentemente. Onde estão os heróis, os poderosos bélicos, as potências econômicas e os "grandes triunfos" obtidos com o esmagamento de povos dos tempos passados?  Todos se finaram! Desapareceram. Os historiadores e investigadores da Antiguidade relatam as façanhas e os crimes — o que hoje se deduz das cinzas.  

Tudo passa! 

Como nenhum indivíduo, em essência, morre, apesar do destroçamento da constituição física, o Espírito continua a sua vida sem fim. Com isso, todas as ocorrências e percepções ficam registradas nas consciências particulares, conforme os respectivos sentimentos. Nada é exatamente igual para todos.  

Considerando as multifacetadas condições de vida no mundo, com origens regionais distintas, culturas próprias, visões religiosas diversasalém das questões políticas multiformes das infinitas variáveis das formações sociais, tudo isso nada mais é que um laboratório natural para a convergência na conquista de virtudes, visando alcançar a verdadeira fraternidade.  

Esse trabalho convergente não ocorre pelo imediatismo, para atender a interesses econômicos ou políticosde afogadilhoTrata-se de tarefa de longo prazo, que atravessa muitas gerações, baseada no respeito às diferenças individuais e entre os povos, com a geração de confiança mútua. O comércio pode existir sem imposição; a equivalência justa é o que deve prevalecer.  

Uma visão materialista do mundo e do poder exacerba o egoísmo, afastando a confiança, o respeito e a justiça do equilíbrio entre as relações. Com isso, a força e a imposição tornam-se os instrumentos do comércio e das relações entre povos, criando competições nas quais vencem sempre os mais fortes. Assim, imperam os jogos de interesses, com subterfúgios nem sempre lícitos, que buscam salvaguardar-se contra o outro ou os outros, perpetuando a desconfiança ao longo das gerações.    

A desconfiança corresponde à insegurança; é um mal que traz o medo, e este gera a agressão. As guerras originam-se na desconfiança, que potencializa o medo contra uma ou várias nões.  

Quando se ama verdadeiramente a Deus, ama-se também o próximo. O próximo somos todos nós e todos os demais existentes no mundo. Existindo esse paradigma, prevalece a confiança, gera-se a segurança eassim, fortalece-se a fraternidade.  

Em um contexto de fraternidade, a guerra não faz abrigo; ao contrário, o amor se aninha nos corações.  

Amar a Deus e ao próximonão há outro caminho. 

                                          Dorival da Silva 


Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo: