quinta-feira, 9 de julho de 2015

ORIGEM DAS TENTAÇÕES


ORIGEM DAS TENTAÇÕES

“Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria
concupiscência.” — (TIAGO, capítulo 1, versículo 14.)

Geralmente, ao surgirem grandes males, os participantes da queda imputam a Deus a causa que lhes determinou o desastre. Lembram-se, tardiamente de que o Pai é Todo-Poderoso e alegam que a tentação somente poderia ter vindo do Divino Desígnio.

Sim, Deus é o Absoluto Amor e tanto é assim que os decaídos se conservam de pé, contando com os eternos valores do tempo, amparados por suas mãos compassivas As tentações, todavia, não procedem da Paternidade Celestial.

Seria, porventura, o estadista humano responsável pelos atos desrespeitosos de quantos inquinam a lei por ele criada?

As referências do Apóstolo estão profundamente tocadas pela luz do céu.

“Cada um é tentado, quando atraído pela própria concupiscência.”

Examinemos particularmente ambos os substantivos “tentação” e “concupiscência”. O primeiro exterioriza o segundo, que constitui o fundo viciado e perverso da natureza humana primitivista. Ser tentado é ouvir a malícia própria, é abrigar os inferiores alvitres de si mesmo, porquanto, ainda que o mal venha do exterior, somente se concretiza e persevera se com ele afinamos, na intimidade do coração.

Finalmente, destaquemos o verbo “atrair”. Verificaremos a extensão de nossa inferioridade pela natureza das coisas e situações que nos atraem.

A observação de Tiago é roteiro certo para analisarmos a origem das tentações.

Recorda-te de que cada dia tem situações magnéticas específicas.

Considera a essência de tudo o que te atraiu no curso das horas e eliminarás os males próprios, atendendo ao bem que Jesus deseja.


Caminho, Verdade e Vida - Psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel, capítulo 129.


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Observando e analisando os nossos interesses nos conheceremos interiormente, teremos consciência de facetas do patrimônio moral, que somos. Carregamos a história que como autor insubstituível a registramos em cores, com sons, cheiros, emoções..., no entanto, foi sendo escrita na esteira dos tempos; épocas que por agora não lembramos. Às vezes, como quando abrimos um álbum de fotografias de uma viagem, lembramo-nos os momentos e recobramos as imagens, as emoções e as sensações.

Não ignoramos que somos o resultado das nossas vivências, que sabemos são as várias existências em corpos diferentes, as chamadas reencarnações. Isto em virtude da Lei Natural do Progresso, e no gozo do livre-arbítrio, cultivamos significativamente experiências negativas, mais propriamente no rumo do sensualismo e dos ganhos de menores esforços.

Nesse trânsito de longo curso, angariamos, ajuntamos em nós, pelos usos e costumes: a indiferença, o malquerer, a inveja, o ódio, a cobiça, a desconfiança, a traição, ..., e logicamente, também, desenvolvemos numa dubiedade, os sentimentos, ainda, egoísticos, do amor aos nossos, os melhores sentimentos aos simpáticos aos nossos interesses, o sentimento de posse a qualquer preço, relativo entendimento de justiça e respeito para com o próximo, o semelhante.

Assim recobramos lembranças de vivências arquivadas quando instigados por estímulo externo, são os desejos de usufruir novamente as sensações de tempos passados, estimuladas por um fato ou uma circunstância no tempo presente, de algo que outrora teve importância, muito provavelmente negativa, mas que provocou satisfação. É um acumulado moral que estava adormecido e que o estímulo desperta. É um incômodo moral que quer atendimento e, agora, está aceso na nossa intimidade, é a tentação.

Cabe ao portador refreá-la ou usufruí-la. As consequências advirão. Cabe a cada um a reflexão amadurecida sobre tudo o que surge em nossas vidas. O "Orai e vigiai", de Jesus, é verdade permanente, deverá fazer parte da vida de todos. Ainda precisaremos substituir grande parte de nosso patrimônio moral, que é negativo, e influencia significativamente as nossas atuais escolhas. Por isso, a facilidade que temos de acolher sem maiores reflexões o que é negativo e prejudicial à nossa ascensão espiritual, proporcionando logo depois angústias, infelicidades, frustrações...


As tentações estão em nós mesmos!

                                           Dorival da Silva 

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