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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Por que não amar?

                                            Por que não amar? 

A questão parece dúbia. Talvez devesse ser: Por que amar? Trata-se de uma captação intuitiva; não sei o que será escrito. Vamos aguardar. Todos somos frutos do amor, do amor de Deus. Não somente os seres humanos, espíritos hominais, estejamos em um corpo ou fora dele. Tudo o que existe vem desse amor.  

Falando de nós, todos temos intrinsecamente, pela origem, o gérmen do amor, tal como todas as sementes trazem os traços de sua espécie. O grande problema é que esse sentimento não surge de fora para se integrar à alma. O amor pede conscientização e exercício; não podemos confundi-lo com nada que seja de ordem material, embora expressões materiais possam demonstrar amor por aqueles que o possuem no coração.  

É comum dizer-se que o coração é o órgão dos sentimentos; isso é verdadeiro, pois, de acordo com as emoções, pulsa diferentemente, proporcionando um bom ou um mal-estar ao espírito. O amor é uma expressão espiritual e não é consciente. Quando se pensa em oferecer uma atitude amorosa, isso ainda é uma possibilidade. Quem ama age amorosamente em todas as circunstâncias, sem se preocupar em ser amoroso.  

Aquele que ama verdadeiramente não pensa no mal nem na violência. Tudo que é negativo não faz parte de sua natureza. Quando Jesus Cristo ensina que devemos "amar ao próximo tal como a nós mesmos", aponta-nos um ideal a ser alcançado. No entanto, sem exercitá-lo permanentemente no transcorrer da vida presente e, certamente, em muitas outras nas quais será necessário mergulharmos —, esse sentimento não se tornará parte comum de nossa existência espiritual. 

Há muita ilusão quando se diz que se "fará amor" ou que se amou alguém e agora não ama mais. Aquele que pensa em profundidade verá incoerência nessas posições. Quem ama, ama sempre, independentemente do que ocorrer negativamente. Poderá haver discordância, como condenar certas atitudes, mas não se deixará de amar. Quem ama sempre terá um estado de tolerância pelos erros dos amados, sem conivência, mas sem perder a visão de que tudo o que não é conforme se restabelecerá. O seu plano de visão não está limitado ao tempo do cronômetro comum, mas a uma percepção de tempo sem fim.  

Aprender a amar é sofrido. A luta maior é com o nosso ego. Amar é um sentir altruístico, com responsabilidade moral. Por ora, o nosso exercício de amor é quase um trabalho forçado. Existem muitas amarras impeditivas na nossa alma, como o orgulho que vive ferido, a vaidade quase sempre contrariada, o egoísmo impenitente e desejos de coisas — nem sempre necessárias — aos quais não temos coragem de colocar freios. Muitas vezes, comprazemo-nos em ser vítimas circunstanciais para contrariar aqueles que nos querem bem, perdendo a oportunidade para o exercício do amor desprendido e rumando contra a indicação da bússola da paz e da felicidade.  

Geralmente se deseja um amor que convenha; com isso, quer-se um amor personalizado. Esse é o amor-egoísmo. O amor que nos ensina o Senhor Jesus não guarda lado ou reserva interesses e não conhece limites; no entanto, é responsável e coerente, nunca foge ao bom senso.  

A grande finalidade do espírito humano em vivenciar inúmeras reencarnões, desenvolvendo a inteligência e adquirindo virtudes, é sua culminância: amar. A partir desse estágio espiritual, todas as ações visam o bem comum. É isso que o Criador espera dos seres humanos, que surgiram simples e ignorantes de Sua vontade, para trilhar um caminho evolutivo, desenvolvendo os dons que estavam latentes e alcançando luzes próprias. Assim, devem trabalhar com sabedoria e amorosamente em favor daqueles espíritos em início de trajetória, ajudando-os a escalar as escarpas da evolução. 

O grande exemplo é Jesus Cristo, que veio de ambiente celeste oferecer os Seus recursos amorosos, revelando novos caminhos e esperanças a todos os Espíritos vinculados à Terra, doando-se de corpo e alma. 

O uso do termo "amar" foi banalizado pelo uso comezinho do dia a dia. Mas, em uma análise mais profunda, com percepções amplas sobre a nobreza do sentimento, nota-se que sua origem é divina. Bem compreendido e aplicado à vida, preenche todos os espaços emocionais com harmonia, paz e felicidade. É a plenitude espiritual. Para o ser consciente, não existe razão para não amar, embora exercitá-lo seja trabalhoso e difícil devido à luta que travamos com as próprias imperfeições. Ainda precisamos pensar para amar; tal sentimento ainda não conquistamos plenamente 

Quando um Espírito alcança o estado de perfeição moral e intelectual, o amor existirá nele como um instinto. Assim, o indivíduo se confundirá com a sua própria essência, tornando-se um ser-amor. Por que não amar?                   

                      Dorival da Silva. 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), por meio do endereço eletrônico abaixo:  

Obras de Allan Kardec – FEB (febnet.org.br). Obras de Allan Kardec – FEB. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Racismo, isso não é mais concebível!

 Racismo, isso não é mais concebível! 

Ultimamente, com frequência, apresentam-se estampadas nos meios de comunicação manifestações e revoltas de pessoas de diversos segmentos sociais, em virtude de desrespeito a comportamentos ou atitudes ofensivas denominadas racistas.  

Embora existam leis e jurisprudência acerca dessas manifestações e ofensastais ocorrências parecem aumentar.   O problema é a ausência de educação espiritual dos indivíduos, apesar de grande parte deles ter vínculo com algum segmento religioso. No entanto, não se detém em um estudo mais aprofundado sobre a questão das relações com as demais pessoas – o que é comum nas religiões, ou seja, o respeito ao próximo – e, mesmo independentemente de segmentos religiosos, a convivência social reclama relação amigável com qualquer pessoa ou a qualquer povo.  

No ano de 1857, com os estudos e observações arrojadas de Allan Kardec, surge a obra: O Livro dos Espíritos, publicada em 18 de abril, em Paris, França; com isso, apresentou-se ao mundo a Doutrina Espírita em seus primeiros passos. Nessa primeira obra da Doutrina,  o capítulo IV – Da pluralidade das existências –que apresenta respostas obtidas dos Espíritos reveladores acerca da reencarnação e da justiça que lhe é inerente. 

As revelações apresentadas pelo Espiritismo são verdades universais, constituindo uma ciência nova, sendo a reencarnação um de seus ensinamentos relevantes para a Humanidade. Havendo compreensão da grandiosidade de sua justiça – pois se trata de mecanismo educativo da justiça divina –, o comportamento racista, em quaisquer de suas configurações, perde o sentido.  

A reencarnação não pode ser exercida pela vontade dos homens; ela existe exclusivamente pelos mecanismos naturais. Não é difícil avaliar que todos estamos reencarnados.  

Quando nasce uma criança em nossa família, os pais a acolhem com todo carinho, amor e zelo.  Não sabem quem é aquela criança. Alguém antigo tomou um corpo novo como oportunidade para reajustar o seu estado espiritual, reeducando-se em certos pontos. bebê frágil representa o surgimento, para a vida material, de um espírito que transitou por muitas experiências positivas e negativas; contudo, são as negativas que exigem correção de rumos. Estas trazem o desconforto e o sofrimento espiritual.  

O racismo é uma nódoa moral que percorre os milênios, gerando ódio, crime e até guerras. Assim, desestrutura, alongo do tempo, a harmonia social, prejudicando número sem conta de pessoas, até mesmo nas situações mínimas do cotidiano.  

A existência desse mal nas sociedades, que causa tantos sofrimentos, precisa ser solucionada. Contudo, a solução não virá apenas pelos meios convencionais – leis e regras impostas –, mas por uma educação moral e pela conscientização de que já sofremos ou fizemos sofrer, em outras vidas, em razão de questões racistas. As manifestações desarrazoadas desse comportamento, em qualquer nível de expressãonada mais são que as revivências dos próprios sofrimentos racistas impregnados na alma.  

Aqueles que agridem e aqueles que ressentem os ataques formam uma corrente vibratória que imanta uns e outros, estabelecendo um ambiente espiritual de mútua agressão. Assim, essa massa racista tem suas forças irracionais potencializadas, gerando crimes e desgraças individuais e coletivas. Essa potencialização ocorre em virtude do contingente de espíritos desencarnados que também carregam pendências racistas e alimentam o ódio e desejam vingança, imiscuindo-se, por afinidade vibratória, na massa dos reencarnados que alimentam tal deformação moral, gerando transtornos inconcebíveis. 

Retornemos à lição máxima de Jesus Cristo: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mateus 22:37-39)Esse ensinamento precisa ser compreendido e vivenciado pela humanidade. Isso exige estudo aprofundado de cada indivíduo, pois é com a melhoria particular que se qualifica o todo. Tal ensinamento tem figurado nos templos religiosos, nas leituras e nos discursos, mas ainda não faz morada na alma das criaturas. Essa verdade precisa coexistir nos lares, nos ambientes de trabalho, nas escolas e em todos os meios de comunicação.  

Havendo consciência de que eu sou o próximo de todos os demais viventes da Terra e desejo o respeito deles, também todos desejam o meu respeito. Nestes tempos tecnológicos, em que alcançamos as pessoas em quaisquer partes do mundo, precisamos medir bem as nossas expressões e opiniões. Observar a mensagem do Mestre e Senhor é estar consciente de que, em tudo, devemos "amar o próximo como a nós mesmos", assim, não temos do que nos arrepender.  

O racismo existe na intimidade das pessoas, no seu espírito; é uma má educação herdada de si mesmas, em virtude de vivências equivocadas de outros temposAqui, no planeta Terra, encontramos um estágio espiritual de evolução moral ainda frágil, que faculta a manifestação de expressões racistaslevando muitos indivíduos ao sofrimento, nem sempre aparente, pois muitos sofrem em silêncio a insensibilidade fraterna de outros.  

A busca voluntária do próprio realinhamento com a mensagem de Jesus resolve muitas questões espirituais que perduram de outras vidas e nos prepara para que, em nova reencarnação, não haja sofrimento por aquilo que já deveria ter sido superado.  

Atualmente, o racismo é algo inconcebível!  

                        Dorival da Silva. 


Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo: