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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Por que sofremos?

                                                 Por que sofremos? 

Todos somos criaturas de Deus; por esse princípio, ninguém existe para o sofrimento. O sofrimento existente corresponde à escuridão presente no espírito, gerada pela má formação moral do indivíduo no curso de sua existência milenar. Somos uma construção de nossas próprias vivências.  

A Lei Divina é harmônica em todo o Universo e imutável.  

Todos os seres humanos são dotados de inteligência, de sentimentos, da liberdade de escolha e de decisão e de outras possibilidades, constituem, com seus efeitos, a qualidade da consciênciaVivemos a atual existência, embora sem lembranças claras, com todos os valores morais que angariamos em vidas passadas.  

Grande parte dos seres humanos ainda está pouco distante do primarismo evolutivo; confundimos atributos espirituais com instintos, imperando, relativamente, a irracionalidade diante dos feitos da vida. Agimos por impulso, por ouvir dizer, por achar isso ou aquilo bom ou melhor, sem, no entanto, uma análise mais aprofundada para saber se é realmente bom ou não e se, mesmo se apresentando favorável, existe conveniência em fazê-lo ou aceitar tal situação. 

Na questão 919 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec perguntou aos Espíritos reveladores da Doutrina Espírita: “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? A resposta foi: “Um sábio da Antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”   Este ensinamento percorre os milênios e não há contestação.    

Na questão 919-a, o espírito Santo Agostinho discorre sobre como procedia para se autoconhecer, o que também nos serve plenamenteFazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. 

É relevante compreender que somos seres integrais: temos uma conjuntura de recursos relativamente desenvolvidaque utilizamos na vida materiale os estudos e revelações trazidas pelo Espiritismo nos tornam cientes de que existem muitos outros elementos espirituais para serem desenvolvidos. Estes existem na nossa intimidade espiritual, que ainda não notamos, mas que despertarão com o aperfeiçoamento daqueles dos quais já temos conhecimento. Na Lei Natural não há atropelos nem enganos; tudo acontece nos limites dos méritos adquiridos. 

Embora haja o tumulto da vida atual, considerando a miscelânea de informações que zurzem de todos os quadrantes do mundo, quase sempre de baixo teor — próprio do estado espiritual daqueles que as emitem e dos que a propagam —, existem também boas possibilidades de pesquisa, que oferecem conhecimentos refinados e que devemos utilizar a favor de nosso desenvolvimento.  

O grande problema dos dias atuais está nas escolhas. Faz-se necessário separar aquilo que nos traz crescimento intelectual e moral na grande correnteza de conteúdos de quaisquer naturezas: bons ou ruins, morais ou inorais, ou ainda inócuosQuem pretende evoluir precisa ser crítico com os seus gostos, usos e preferências; quase tudo pode nos levar a perder tempo e nos manter em um estado de mesmice.  

Na vida prática do dia a dia, no ganha-pão, também não pode ser de qualquer jeito; tudo precisa passar pela crítica e pelo discernimento: isso é certo ou é errado? Posso, mas devo? Todos os nossos movimentos na vida precisam ter resultados positivos, porque precisam ser bons para mim e para os outros. É a prática do bem, momento a momento.  

A construção dos méritos evolutivos não se dá repentinamente, como se fosse uma avalancheé sempre gradativa e precisa sensibilizar a nossa alma. Assim, elabora-se um patrimônio espiritual seguro e consciente.  

Agir na vida sem critério, análise e propósito pode nos levar a grandes enganos, sendo que um equívoco por irreflexão certamente causará desdobramentos danosos. Assim surgem os crimes, os prejuízos materiais e morais, os desvios comportamentais, os comprometimentos familiares… As dificuldades geradas por esse estado de coisas arruínam a vida das pessoas; por consequência, essas pessoas, que são espíritospermanecem em sofrimento. A maior parte não consegue resolver os desdobramentos negativos na mesma existência física; com isso, permanecerá em sofrimento na vida espiritual, uma vez que a pendência moral lhe pertence, sendo muito pouco provável que a resolverá naquela dimensão.  

Quando surge a oportunidade para retornar em nova experiência na vida terrena, esse processo evolutivo proporciona relativo esquecimento das peripécias causadas pelas atitudes irrefletidas na vida anterior. Embora não haja lembranças claras das causas dos sofrimentos vividos anteriormente, elas se encontram na sua intimidade do ser.   

Podemos dizer que ainda sofremos na presente existência — reservadas as exceções —, em algum nível, situação semelhante à aqui exposta.   

Cremos valer a pena termos critérios na condução de nossas vidas para evitarmos o que seja desnecessário e evitável, poupando-nos de sofrimentos e atrasos evolutivos.  

Lembramos o ensinamento de Jesus Cristo“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação…” (Mateus, 26:41)O Mestre, que conhece todos os Espíritos que estão sob sua condução no planeta Terra, deixou orientação para evitar o mau e o sofrimento. Seu Evangelho não está constituído de letras mortas, mas de vida plena.   Poucos observam Sua recomendaçãosão visíveis os sofrimentos por toda parte. Tudo leva a crer que, por não se importarem com os estudos relevante para uma vida de equilíbrio, o sofrimento vai se exponenciando. Imperam, quase genericamente, a irreflexão e a irresponsabilidade, iludidas por resultados mediáticos e imediatos — troféus virtuais que se apagam como as bolhas de sabão, permanecendo apenas as nódoas na alma.  

As leis cíveis e outras, os hábitos, os costumes, as liberalidades tecnológicas, científicas, religiosas, políticas não alteram em nada a Lei Divina, que é imutável. Assim, viver de maneira produtiva espiritualmente é manter um estado de consciência em equilíbrio, mesmo deixando de gozar de vantagens civilmente aceitasembora espiritualmente imorais — “Vigiai e Orai. 

Os sofrimentos não existem por existirem. Têm uma razão, e ela se encontra no próprio sofredor.  

Iluminar o Espírito é neutralizar o mal e eliminar os sofrimentos de nossas vidas, para sempre! 

                                                       Dorival da Silva. 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo: