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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Direito ou justiça?

                                                       Direito ou justiça?

      Muitos estão ávidos por direitos, exigindo-os em todas as circunstâncias em que presumem seus. No entanto, não demonstram a mesma ênfase quando supõem que este não os favorecem. O que deveria ser uma obrigação é respeitar o direito do outro, assim como se exige o próprio. É uma questão de justiça. Moralmente é cumprir-se com o dever.  

     O direito, numa visão ampla, é um conjunto de normas convencionadas que servem por um determinado período para orientar o comportamento de uma população, harmonizando conflitos de interesses. Ele sofre o desgaste com a evolução da sociedade que orienta, exigindo atualizações ao longo do tempo. 

     Assim, o que se diz ter cumprido com a justiça numa determinada circunstância, sob um determinado entendimento julgador, pode ser considerado uma injustiça em outra época, quando o mesmo fato é analisado sob uma perspectiva diferente.  

     As letras da norma embasa o julgamento permanecem as mesmas, mas o entendimento do valor fático e o estado psicológico alcançam outras dimensões. 

     As normas legais, elaboradas, organizadas e codificadas, não correspondem a uma justiça irreparável, levando em conta a condição vulnerável tanto dos que a estabeleceram quanto dos próprios aplicadores. Não se trata de desonestidade, mas sim da condição humana, que sofre a evolução do entendimento e se renova com a dinâmica do pensamento de cada momento da vida. 

     O que se discute acima parece atender apenas a situações cotidianas, lidando com a realidade enquanto o indivíduo faz parte desse contexto social. No entanto, ultrapassa o limite marcado pelo túmulo, refletindo sua influência sobre a continuidade da existência do ser pensante no plano extracorpóreo.

     A vida na organização social em que se nasce, independentemente de sua duração, é um hiato na existência do ser espiritual. Todas as ocorrências são experiências para aprendizado com fatos novos. No entanto, os impulsos para os acontecimentos estão no próprio ser, que veste uma indumentária corporal, mas em sua alma, e carregará todas as consequências consigo mesmo. O julgamento de qualquer ordem, independentemente das normas legais, seja consequente ou irresponsável, terá reflexos após a morte do corpo, tanto para quem o aplica e para quem o sofre. 

     Ao conhecer a realidade mais íntima do julgado, o julgador perceberá que não fez justiça e gerou uma dificuldade de difícil solução, pois movimentou forças profundas da alma, gerando mácula no outro. O mais sincero arrependimento, por si só, não dará trégua à sua consciência, mesmo que o injustiçado o perdoe. 

     O ofendido, ao perdoar, se livra da mágoa, se assim o fez verdadeiramente. No entanto, o ofensor se vê com a necessidade de reparar para se sentir justificado. Todo cuidado na relação humana é pouco. O apóstolo Pedro perguntou a Jesus: “Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes¹”.

     Em outro ponto, o Mestre Galileu, recita: “Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós²”.

     Os Seres espirituais, toda a Humanidade, têm o direito de alcançar, por seus esforços, a plenitude da paz e da felicidade e, consequentemente, a justiça. Isso corresponde ao estado de harmonia da própria consciência, aquela que vibra em uníssono com a Lei Divina, que é Lei de Amor e Justiça. 

     Antes de defender direitos, seria mais produtivo procurar resguardar os deveres e as obrigações. Se todos assim procedessem, ninguém precisaria se preocupar com aqueles, pois estariam naturalmente preservados. Seria uma realidade altruística. O egoísmo e o orgulho não se fariam presentes nas vidas das pessoas, a paz seria recorrente, a miséria e as diversas carências sociais não se conheceriam, “O Reino do Céu se faria na Terra”. Seria utopia, ou o que se deve esperar? Qual a contribuição?

     O direito e a justiça estão disponíveis para todos os indivíduos. O que se precisa é internalizá-los na própria alma para que reflitam na sociedade, que se tornará um caldo de verdadeira fraternidade. 

     Direito ou justiça, qual é a sua reflexão?

                                   Dorival da Silva

     

  1. Mateus, XVIII: 15, 21, 22

  2. Mateus, VII:1-2

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O livro espírita


Elucidações de Emmanuel
Ano 9 - N° 415 - 24 de Maio de 2015


 
O livro espírita
 

Cada livro edificante é porta libertadora.


O livro espírita, entretanto, emancipa a alma nos fundamentos da vida.

O livro científico livra da incultura; o livro espírita livra da crueldade, para que os louros intelectuais não se desregrem na delinquência.

O livro filosófico livra do preconceito; o livro espírita livra da divagação delirante, a fim de que a elucidação não se converta em palavras inúteis.

O livro piedoso livra do desespero; o livro espírita livra da superstição, para que a fé não se abastarde em fanatismo.

O livro jurídico livra da injustiça; o livro espírita livra da parcialidade, a fim de que o direito não se faça instrumento de opressão.

O livro técnico livra da insipiência; o livro espírita livra da vaidade, para que a especialização não seja manejada em prejuízo dos outros.

O livro de agricultura livra do primitivismo; o livro espírita livra da ambição desvairada, a fim de que o trabalho da gleba não se envileça.

O livro de regras sociais livra da rudeza de trato; o livro espírita livra da irresponsabilidade que, muitas vezes, transfigura o lar em atormentado reduto de sofrimento.

O livro de consolo livra da aflição; o livro espírita livra do êxtase inerte, para que o reconforto não se acomode em preguiça.

O livro de informações livra do atraso; o livro espírita livra do tempo perdido, a fim de que a hora vazia não nos arraste à queda em dívidas escabrosas.

Amparemos o livro respeitável, que é luz de hoje; no entanto, auxiliemos e divulguemos, quanto nos seja possível, o livro espírita, que é luz de hoje, amanhã e sempre.

O livro nobre livra da ignorância, mas o livro espírita livra da ignorância e livra do mal.
 
Do livro Doutrina e Vida, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.


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Página extraída da Revista Espírita "O Consolador", que poderá ser acessada no endereço:
 http://www.oconsolador.com.br/ano9/415/emmanuel.html