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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Por que não lembramos das outras vidas?

 Por que não lembramos das outras vidas? 

Esse tema é recorrente na vida de muitas pessoas. Para uma porção considerável, nenhuma importância tem, pois nem pensam em tal coisa. Para grande número de pessoas, isso é motivo de descrédito e contestação, embora não apresente argumentação razoável para sustentar a impossibilidade ou a inexistência. 

Falar de lembranças de vidas passadas é retornar às vidas sucessivas; sendo isso um pilar da Doutrina Espírita, que se propagou com o termo "reencarnação".  

Embora se trate de tema comum na vida da humanidade e de todos os tempos, ainda é matéria que não alcançou a compreensão da maioria das pessoas nas diversas gerações. A grande barreira para o entendimento dessa lei natural é a falta de interesse dos indivíduos, e consequentemente das organizações, tais como academias e credos diversos. Há muito tolhimento para se adentrar tal tema em virtude de preconceitos arraigados no tempo, além de indisposições ideológicas irredutíveis.  

Por um lado, o preconceito é força potente, existente nos indivíduos e nas organizações, entravando o caminho da evolução espiritual. Geralmente, a base argumentativa é dogmática, assim não há avanço, pois nesse ponto há congelamento do entendimento espiritual, tal como o dogma encetado. A reencarnação e a morte do corpo formam uma via natural das experiências espirituais de toda a humanidade.  

Os espíritos ligados ao planeta Terra, que necessitam do mecanismo da reencarnação, em uma estimativa relativa, perfazem um número entre 25 e 30 bilhões. Todos os dias desencarnam um número significativo de pessoas, tantos quantos reencarnam. Desencarnar é sair de um corpo de carne e reencarnar é adentrar um novo corpo de carne.  

O que precisa ser considerado é o ser que vai para a espiritualidade e que de lá retorna. Esse é o mesmo. Somos nós mesmos. O ser que pensa, a essência da vida, "eu", "nós". O corpo é o instrumento que fica e desaparece. Não somos o corpo! Somos seres imperecíveis e passíveis de progresso e progresso infinito.  

Todos os registros de fatos em que participamos ativa ou passivamente estão em nós; tal como um registro fotográfico ou, mesmo, um vídeo, mas não nos moldes materiais, mas em impregnações magnético-vibratórias. Assim, todos os eventos em que vivemos em todas as vidas, em corpos, e depois fora deles estão registrados em nosso corpo espiritual, ou seja, no perispírito. A evolução espiritual é o desenvolvimento e o aprimoramento dos atributos do espírito, existentes quando da sua criação, em estado latente. No estágio em que nos encontramos, reconhecemos a inteligência, os sentimentos e o estado de consciência, tudo de modo muito relativo.  

Como o progresso espiritual tem por base a liberdade de agir e a obrigatoriedade de harmonizar tudo aquilo que não realizamos conforme as leis naturais ou seja, a Lei de Deus, em virtude do nosso estado de inferioridade moral, isso maculou a consciência, sendo que precisamos de uma nova oportunidade para o reajuste 

A oportunidade é nascer de novo, para reajustar os efeitos danosos de nossas ações negativas, que nos trouxeram sofrimentos persistentes, numa determinada vida, com a continuidade mais incidente no mundo espiritual, não sendo possível a superação dessas, tendo lembranças e, às vezes, visões das cenas do mal que realizamos e suas consequências, junto àquele ou àqueles que prejudicamos. Diante de tal situação, pedimos a Deus meios de resgatar as dívidas que adquirimos e que nos ofendem moralmente. Sendo a reencarnação um recurso de amor e justiça em favor da criatura, com a aquisição de um novo corpo de carne, quando ocorre um esquecimento relativo dos fatos passados, dando ao pecador a possibilidade de resgatar as suas dívidas com os seus credores, muitas vezes convivendo com eles, na qualidade de pai, mãe, filho, filha... 

Não fosse uma nova existência, com o esquecimento possível do passado, seria improvável que o nosso orgulho cedesse para reatarmos a amizade e a simpatia com quem digladiamos e a quem destruímos em outros tempos. 

Esse tema, que é dos mais relevantes da vida humana, aqui está sendo tratado muito superficialmente. Existem estudos aprofundados sobre isso, principalmente em obras psicografadas por médiuns de reconhecida notoriedade e confiança.  

Repetimos que o esquecimento das experiências de vidas passadas, proporcionado pelo processo da reencarnação, é recurso divino em favor da criatura, como oportunidade de progresso espiritual. Na realidade, o esquecimento em tela somente existe enquanto estamos no estado de vigília. Quando dormimos e nos desprendemos da constrição do corpo físico, temos a possibilidade de lembrar coisas de nosso passado, se nos for favorável e conveniente na caminhada evolutiva, mas todos os registros estão nas camadas profundas de nossa consciência¹.   

Tudo o que existe e não é obra do homem é obra divina, a favor da criatura. A dor, os sofrimentos emocionais graves e os desconfortos morais são resultados das ações daquele que sofre, originários de outras vidas e, às vezes, desta existência. Alguns sofrimentos, que se julgam sem fundamentos, são pagamento de dívidas e resgate de consciência; outros são provações existenciais, certificadoras de méritos evolutivos.  

A lei de Deus é justa e perfeita, o espírito humano é criatura no rumo do estado perfeito, por seus méritos; tem a liberdade de agir, tanto quanto a responsabilidade pelo que advier por suas decisões; e o seu destino é a perfeição. O atraso evolutivo causado pelo desinteresse ou rebeldia é por conta da criatura, sendo a dor o "anjo" que vem em seu socorro 

O esquecimento do passado é a mão de Deus em nossas vidas, permitindo o alívio dos sofrimentos enquanto permanecíamos na vida espiritual, sendo que tínhamos integral lembrança das mazelas e suas consequências de vidas anteriores. A reencarnação traz o esquecimento e o amortecimento dos sofrimentos, permitindo o reinício da jornada e o reajuste da consciência no rumo do bem.  

1. Consulte a obra: O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Autoria de Léon Denis. 

                                          Dorival da Silva 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), por meio do endereço eletrônico abaixo:  

Obras de Allan Kardec – FEB (febnet.org.br). Obras de Allan Kardec – FEB.