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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Eu não posso…

                                Eu não posso… 

Há alguns dias, em reunião de “O Evangelho no Lar”, abrimos ao acaso uma obra espírita¹, caindo na página que se tornaria objeto de nossa reflexão.  

A mensagem psicografada pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel — seu Mentor —, propõe-nos profundas análises comportamentais.  

O título que escolhemos corresponde ao início do versículo que serviu de base ao Mentor para traçar as orientações de que precisamos levar em consideração, vislumbrando o progresso espiritual nesta vida material. 

Adiante segue a mensagem integral: 

“TUDO EM DEUS 

“Eu não posso de mim mesmo fazer coisa  

alguma.” — Jesus. (JOÃO 5:30) 

 

“Constitui ótimo exercício contra a vaidade pessoal a meditação nos fatores transcendentes que regem os mínimos fenômenos da vida. 

O homem nada pode sem Deus. 

“Todos temos visto personalidades que surgem dominadoras no palco terrestre, afirmando-se poderosas sem o amparo do Altíssimo; entretanto, a única realização que conseguem efetivamente é a dilatação ilusória pelo sopro do mundo, esvaziando-se aos primeiros contatos com as verdades divinas. 

“Quando aparecem, temíveis, esses gigantes de vento espalham ruínas materiais e aflições de espírito; todavia, o mesmo mundo que lhes confere pedestal projeta-os no abismo do desprezo comum; a mesma multidão que os assopra incumbe-se de repô-los no lugar que lhes compete. 

“Os discípulos sinceros não ignoram que todas as suas possibilidades procedem do Pai amigo e sábio, que as oportunidades de edificação na Terra, com a excelência das paisagens, recursos de cada dia e bênçãos dos seres amados, vieram de Deus que os convida, pelo espírito de serviço, a ministérios mais santos; agirão, desse modo, amando sempre, aproveitando para o bem e esclarecendo para a verdade, retificando caminhos e acendendo novas luzes, porque seus corações reconhecem que nada poderão fazer de si próprios e honrarão o Pai, entrando em santa cooperação nas suas obras.” 

Reflexão: 

Pequena parcela da humanidade reencarnada realiza análises de sua real situação diante da vida — não somente daquilo que ocorre cotidianamente no trabalho, na família e na sociedade, mas também sob uma perspectiva de integralidade do indivíduo que vive simultaneamente na dimensão material, com todas as suas realizações e consequências, e na dimensão espiritual, com as intuições provenientes de experiências de vidas passadas e, ainda, sob a influência daqueles espíritos com os quais mantêm afinidades por simpatia ou antipatia. Emmanuel afirma no início da sua página: “Constitui ótimo exercício contra a vaidade pessoal a meditação nos fatores transcendentes que regem os mínimos fenômenos da vida.” 

É certo que todos precisamos desenvolver a consciência da importância de dominar a vaidade e buscar o caminho da humildade, pois nunca estamos verdadeiramente sozinhos. Nossas decisões, mesmo quando não percebidas em profundidade, movimentam múltiplos interesses. Existem influências nos dois planos da vida — e muitos desencarnados acompanham até os nossos pensamentos.  Pensamentos elevados, ações voltadas ao bem e comportamentos dignos em todos os passos da existência vitalizam e enobrecem nossas energias espirituais, contribuindo para neutralizar as influências espirituais nefastas, tanto de espíritos fora da matéria quanto daqueles que ombreiam conosco na sociedade humana.   

Quando o Orientador espiritual anota: “O homem nada pode sem Deus.”, conduz-nos à reflexão sobre algo que muitos ainda não compreendem plenamente, mesmo estando vinculados a algum segmento religioso: trata-se da fé raciocinada, que permite analisar Deus sob diversos aspectos de Suas leis e obras. Tudo aquilo que existe no mundo e no espaço sideral — micro ou macroscópico — e que o homem não criou é obra divina. 

Pensando bem, o ser humano apenas transforma aquilo que a Natureza dispõe. Contudo, as transformações mais profundas são frequentemente adiadas, pois o homem ainda precisa lidar com as imperfeições que carrega na alma e que obscurecem o brilho do espírito. Mas, no aspecto da acensão espiritual, poucos conseguem por suas iniciativas, ações que proporcionem modificações morais positivas. No entanto, as transformações mais significativas o homem posterga, pois ele precisa lidar com a jaça que carrega em sua alma, que escurece o brilho de seu espírito. Sem Deus, tal superação não é possível. Não se trata de fanatismo, carolismo ou outros “ismos”, mas de um estado superior de compreensão, livre de concepções e preconceitos que não resistem ao crivo do bom senso.  

“Todos temos visto personalidades que surgem dominadoras no palco terrestre… 

“Quando aparecem, temíveis, esses gigantes de vento espalham ruínas materiais e aflições de espírito…    

Nessas observações, Emmanuel evidencia a vaidade, a ilusão e o pedestal transitório que conduzem à ruína espiritual dos chamados “vencedores no mundo”.  

Deus, que é Amor e Justiça, não estabelece que qualquer ser espiritual — Sua criatura — traga previamente programada a prática do mal ou do crime.   Isso é algo inconcebível. O mal, em qualquer nível, decorre do estágio evolutivo imperfeito do indivíduo que, por afinidade, se agrupam e expressa valores negativos. Assim, onde se encontram, surgem absurdidades, engendram-se perturbações pérfidas e propõem planos criminosos e guerras sem sentido, sempre acompanhados de justificativas próprias de espíritos em estado de perturbação — argumentos que o bom senso não acolhe e que nem mesmo as consciências aviltadas conseguem sustentar em paz. Trata-se de uma soberba ilusão.  

“Os discípulos sinceros não ignoram que todas as suas possibilidades procedem do Pai amigo e sábio…”    

Vivemos permanentemente usufruindo oportunidades evolutivas ao longo dos milênios — quer compreendamos isso ou não. Deus concedeu a Seus filhos a liberdade de decidir, de buscar e entender, cada qual em seu tempo e conforme o seu despertar espiritual. A ignorância da verdade e as rebeldias também fazem parte do caminho dos descobrimentos.  Se não houvesse a vaidade, o egoísmo e o endurecimento de caráter — forças renitentes dos Espíritos ainda atrasados —, as luzes do progresso inadiável se expandiriam com menos sofrimentos e maior celeridade.  

O versículo-base da página de Emmanuel e desta reflexão — “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma.” — revela a profunda humildade de Jesus Cristo e ensina à humanidade de todos os tempos que o homem não se realiza plenamente nem alça a perfeição sem a compreensão e a vivência da ligação com Deus. O Mestre demonstra sintonia com o pensamento divino em todas as Suas ações, afirmando: “Eu e o Pai somos um.” (João 10:30).   

 

Recordando esse ponto, veio-me à memória a questão 625 de O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec — codificador da Doutrina Espírita — perguntou a um dos Espíritos que orientavam a sua implantação na Terra: “Qual o tipo mais perfeito que Deus já ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo? A resposta foi simples e direta: “Jesus.” 

 

Considerando todas as revelações oferecidas por Jesus Cristo e pela Espiritualidade que conduz a melhoria moral da Terra — e reconhecendo que ninguém poderá realizar por nós aquilo que nos compete —, a consciência de buscar a Deus constitui exercício íntimo e intransferível, pertencente a cada um de nós. 

 

                                         Dorival da Silva. 

 

1. Obra: Caminho, Verdade e Vida - Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel - capítulo 101 – FEB - 28ª edição. 

 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo: