Esperança
A Humanidade destes tempos vive um momento extremo de dificuldades emocionais. A negatividade, como nuvem que pressagia desastre a qualquer momento, invade todos os meios de vida pelas ondas da virtualidade.
Noticiam-se incessantemente circunstâncias relativas a desastres, intempéries e intervenções policiais em lugares populosos, para combate às distonias legais — ao tráfico de drogas ou à contenção das guerras entre facções criminosas —, além das guerras entre nações em outros continentes.
Todas essas ocorrências cotidianas trazem imagens que revelam a existência da dor, das misérias, das mortes intencionais e das fortuitas — de pessoas que não estão diretamente ligadas a tais circunstâncias. Mostram, ainda, as destruições de casas e de benfeitorias sociais; bem como a deterioração do meio ambiente, comprometendo a continuidade da vida.
Mesmo as pessoas que estão distantes desses conflitos sociais participam desses sofrimentos com a intensidade de seus sentimentos. Umas criticam e protestam acidamente contra as ocorrências; outras não criticam nem protestam, mas se comovem com o sofrimento daqueles que se encontram nesses ambientes controversos.
Os conflitos existentes no mundo, mesmo quando localizados em regiões distantes, produzem efeitos emocionais deletérios que atingem todas as pessoas do planeta, pois o organismo planetário é único, considerando a população geral. Existe um estado vibratório sutil — ainda não perceptível pelos instrumentos humanos —, denominado pela Doutrina Espírita como fluido cósmico universal, que conecta todos os seres, sendo o meio pelo qual transitam os pensamentos e os sentimentos humanos. Assim, os indivíduos sentem e ressentem os sofrimentos e as consequências dos desequilíbrios sociais, conforme o grau de sua lucidez e sensibilidade.
A esperança é um sentimento que se estabelece na alma humana, independentemente de o indivíduo estar inserido em um conflito social ou distante dele. Mesmo pessoas que vivem em lugares sem conflitos e aprazíveis podem estar envoltas por sentimento esperançoso ou não.
Esse sentimento, a esperança, leva o indivíduo a vencer as dificuldades ou, pelo menos, a estar a caminho da vitória.
Grande parte das pessoas amofinadas, depressivas, negativas e infelizes encontra-se desprovida da esperança.
Sendo assim, como encontrar esse sentimento? Primeiramente, é preciso entender que o sentimento é algo inato na alma humana. Não tem lado nem bandeira. Na origem, ele é neutro; depois, seu teor passa a ser o daquele que o possui, o que corresponde às qualidades do que se pensa e à forma como se pensa.
Razão por que devemos pensar sempre de modo construtivo, com a certeza de que todas as ações boas proporcionarão o bem. Assim, devemos lançar um olhar para o futuro, almejando sempre o melhor para nós mesmos e para os outros, indistintamente. Aquele que pensa no futuro vibra na esperança.
Aquele que deseja vencer a estagnação, a depressão e outros males precisa elevar o olhar da alma e mirar o futuro. Isso é a esperança!
Caso todas as circunstâncias ao redor do indivíduo não sejam favoráveis, por haver guerras, conflitos sociais e insuficiências generalizadas, ainda assim a esperança está nele. Ele é o vetor ativo e competente para vencer as adversidades, o motor acionado pelo combustível da esperança — não exatamente como um torpedo, mas como uma força consciente que vai arregimentando atitudes e concatenando seus efeitos para construir um novo momento positivo, sobrepondo-se a tudo aquilo que o incomodava e o impedia de dar passos rumo ao progresso e ao bem-estar.
“Quando um indivíduo se levanta, toda a humanidade se levanta com ele.”
Ao falar de esperança, não é possível deixar de nos referirmos à fé. A fé é uma confiança em algo superior; é um rumo necessariamente espiritual na direção de Deus. Quando falamos de futuro, fisicamente podemos vislumbrar algo — se iniciamos as fundações de uma casa, podemos visualizar a casa pronta —, mas, quando pensamos nas coisas espirituais, o futuro não é tátil: alcançamo-lo pelo pensamento e pelos sentimentos, de acordo com os nossos princípios de fé. No entanto, todos os fundamentos e concepções encontram em Deus o ponto essencial da esperança. Esse é o rumo de todas as criaturas, independentemente do caminho que percorram: sempre retornaremos à Origem. Lá chegaremos pelos próprios esforços; o que se quer dizer é que é preciso aperfeiçoar-se espiritualmente para comungar com a perfeição do Criador.
O caminho é longo, mas existe a esperança. É preciso ativá-la em nossas almas; assim, temos a certeza de que seremos vitoriosos sobre todas as nossas mazelas e sobre aquelas que nos cercam.
Esperança!
Dorival da Silva
Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo: