sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Alegria — uma construção

                                     Alegria — uma construção 

No mundo, há uma busca frenética pela alegria. Mas esse sentimento é fugidio. Parece estar nas festas entre amigos. Às vezes, acredita-se que poderá ser encontrado nos carnavais.  

Buscam a alegria no casamento, depois, esperam-na com a chegada dos filhos e, ainda, a aguardam nos demais eventos da família. Ela faz pousos muito rápidos e vai saindo de mansinho, tornando-se imperceptível, até que  não se encontra mais.  

Renovam eventos, adquirem algo almejado, implementam investimentos, e a alegria aparece como lampejo. Logo se apaga. Como em um círculo vicioso, buscam constantemente a alegria que estaria em algum lugar ou em alguma coisa, mas não a encontram; apenas, inopinadamente, ela surge por alguns instantes.  

Grande parte das pessoas pensa na alegria como algo presente onde a risada é farta, onde haja gracejos e peraltices motivadoras de contentamento — como as fanfarrices do palhaço no circo, que mantêm o entusiasmo da plateia. Nem sempre aquele que faz rir está alegre; muitas vezes, intimamente, chora as dores que os demais desconhecem. Passado o calor do espetáculo, as risadas cessam e a alegria já se foi 

Muitos creem na alegria enganosa da bebedeira, da drogadição, das fantasias virtuais, da sexolatria Ilusões de efeitos voláteis, mas de consequências reais de difíceis soluções. 

Contudo, existe algo que precisamos dar atenção:  

“(…) No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; 

 eu venci o mundo.” — (João 16:33). 

 

Quando Jesus Cristo, já nos momentos finais de sua existência, transmitia aos Apóstolos esses ensinamentos cruciais sobre o que esperar do mundotambém os estendia a toda humanidade. Têm grande relevância, pois estamos em um cadinho de experiências, provações e resgates.  

As aflições não são difíceis de constatar; existem porqué imprescindível que o homem neutralize as suas matrizes. Quando o Senhor diz: “Tende bom ânimo.”, devemos entender: arregimente todas as suas forças, busque os meios possíveis e não deixe de buscar a Deus, fortalecendo-se na fé para vencer todas as suas limitações espirituais.  

É preciso vencer o mundoo que também necessita ser bem compreendido. Não se trata de vencer qualquer indivíduo, possíveis adversários ou coisas materiais, mas de vencer os preconceitos, os paradigmas que impedem o livre pensar, os hábitos e costumes arraigados improdutivos para a elevação espiritual. Somente o estudo constante, as reflexões profundas sobre as razões da existência e a busca do entendimento do que virá depois desta vida conseguirão vencer o homem velho.  

A alegria é algo que se estabelece na alma; ocorre com a elevação do padrão espiritual ao longo do tempo, sendo uma construção de várias existências de exercícios constantes no bem.  

No estágio em que a maioria dos habitantes da Terra se encontraa alegria é algo fortuito, dependente de fatos ou circunstâncias que a proporcionem. Ainda não se trata de um sentimento estabelecidocarece de motivações externas.  

Existem pessoas que são permanentemente alegres. Um fato ou outro desagradável pode causar algum lapso, passado isso, a alegria continua. Não é nada espalhafatoso, cheio de risadas ou outras demonstrações perceptíveis — é um estado interior.  Quem possui tal conquista a vive sem se preocupar com isso, pois nem nota em si essa virtude.  

Aqueles que ainda não alcançaram essa condição buscam-na; no entanto, ela é fragmentária, acontece ocasionalmente e é fugidia.  

Tomando consciência disso, é hora do “bom ânimo” e de “vencer o mundo”, realizando o bem permanentemente para construir o sentimento de alegria definitivo no próprio espírito.  

A alegria é construção de longo tempo — mas é para sempre. 

                                    Dorival da Silva. 

Nota: As obras básicas da Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese) podem ser baixadas gratuitamente do sítio da Federação Espírita Brasileira (FEB), através do endereço eletrônico abaixo:  


domingo, 2 de novembro de 2025

A morte — ela não está distante de nós

                       A morte ela não está distante de nós 

Há poucos dias, estava escrevendo uma página em homenagem aos finados. Isso, naturalmente, fez-nos pensar no fenômeno da morte. Assim, resolvemos escrever algo sobre o tema, não sob o enfoque biológico, mas com uma expressividade voltada ao campo filosófico e psicológico. 

Dizer que tudo o que nasce morre é de domínio geral. 

Falar da consternação que a morte de um familiar ou amigo causa é desnecessário, pois não há quem ainda não tenha passado por tal experiência. Diante de catástrofes com muitas mortes, também conhecemos a comoção que toma conta das pessoas.   

Agora, pensar na própria morte isso é um pensamento fugidio, no qual raramente se fixa a atenção para uma análise profunda. Muitas vezes, fazem-se brincadeiras ou piadas sobre o assunto como um subterfúgio para não o enfrentar 

O que, de modo geral, parece incômodo até um masoquismo — é, na verdade, o receio que grande parte das pessoas tem de pensar em si mesmas, pois isso leva, necessariamente, ao autoconhecimento. Há um grande medo de se conhecer, evita-se, até com certo esforço, o encontro consigo mesmo.  

Esse fato, tão comum, é contraproducente para a condição espiritual do indivíduo. Sendo a morte apenas do corpo — pois a alma não morre ela (a alma) ficará despida de subterfúgios e, naturalmente, terá de se autoconhecer. Isso, em geral, causa frustração, porque o que se verifica não corresponde às expectativas ou simplesmente não se sabia. Intrinsecamente, psicologicamente, um contingente enorme de pessoas não se conhece. uma grande preferência pela aparência, pela forma como se deve apresentar. Isso é um artificialismo: o indivíduo não se mostra como realmente é, permanecendo quase sempre atrás de uma máscara que julga mais conveniente.  

Por essa razão, não se deve deixar esse assunto — a morte para depois, porque ela é a grande reveladora de quem somos. Sendo a morte inevitável, também será inevitável a revelação de nossa alma para nós mesmos. Assim, a consciência enfrentará a razão, e não pairará dúvida sobre a nossa real condição evolutiva.  

O estudo sistemático da Ciência Espírita traz-nos sólido embasamento sobre o tema, e a prática mediúnica confirma esse fato, pelos diálogos mantidos com Espíritos desencarnados que se manifestam nas reuniões mediúnicas 

Os preconceitos e os medos trazidos na esteira do tempo criam dificuldades – muitas vezes, verdadeiras forças psicológicas impeditivas para se tratar de um assunto tão sério para a vida espiritual de cada um.  

Deixar de analisar a própria vida durante a existência no corpo físico, cujas consequências se projetam na dimensão espiritual, é um grande engano.  Como espiritualmente ninguém morre apenas se deixa a matéria densa, adentrando outra frequência vibratória, o ser mantém a mesma personalidade, mas com uma percepção ampliada das coisas. Assim, tanto a felicidade quanto a infelicidade têm suas intensidades aumentadas. 

Com essa pequena reflexão sobre a morte, torna-se evidente a importância cabal do autoconhecimento e da compreensão da finitude dos dias na vida presente. Pois, passados estes, os horizontes da vida se ampliam significativamente para aqueles que se descobriram e se prepararam para a realidade que virá depois. Aqueles que preferiram olhar apenas para a sua exterioridade, voltando-se para fora de si mesmos, certamente se encontrarão embotados espiritualmente, confusos, sem um rumo claro.  Quase sempre necessitarão do auxílio de companheiros espirituais bondosos, que os orientarão em estudos e trabalhos visando à aquisição de valores e qualidades compatíveis com o novo meio de vida.  

Há um ensinamento de Jesus Cristo que nos permite refletir sobre as dificuldades que temos em compreender as razões de estarmos vivendo esta fase material da existência, quando Ele diz: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”(João 8:32).  

Quando buscamos a verdade e a conhecemos, é como se, ao surgir a luz, a treva desaparecesse. 

A morte é a grande reveladora da verdade para o próprio Espírito. Não nos iludamos! 

                                                     Dorival da Silva.