O Livro dos Espíritos
No dia 18 de abril de 1857, foi publicado em Paris, pela Editora Dentu, na Galeria d’Orléans, no Palais Royal, O Livro dos Espíritos, de autoria de Allan Kardec, obra que deveria assinalar um novo período na cultura da civilização.
Constituído por perguntas apresentadas aos Espíritos pelo emérito Professor Rivail, que mais tarde adotou o pseudônimo de Allan Kardec, em homenagem a uma reencarnação que tivera no século I a.C. nas Gálias e as respectivas respostas dos mesmos.
Inúmeros comentários nele são feitos pelo ínclito Codificador que deu à doutrina de que a obra se constitui o nome de Espiritismo, definindo-o como uma ciência que estuda a origem, a natureza, o destino dos espíritos e as relações que existem com o mundo material, é composto por 1019 questões sobre história, antropologia, filosofia, psicologia, ética e moral, religião, defluentes das pesquisas em torno da imortalidade da alma.
Produzindo uma grande celeuma na época, o extraordinário livro que abarca ímpar proposta de filosofia comportamental e moral cristã restaura os ensinamentos de Jesus, atualizando-os à luz da ciência e das conquistas modernas do pensamento.
Utilizando criteriosa metodologia de investimento de investigação da mediunidade – foram consultados centenas de médiuns de diferentes países –, o Codificador, conforme se tornou conhecido, confirmou a promessa de Jesus, quando anunciara que enviaria o Consolador para restabelecer a verdade dos Seus ensinamentos e novas informações que, no Seu tempo, a sociedade não tinha como entender.
Hoje o Espiritismo espalha-se pelo mundo, especialmente pelo Brasil, com a finalidade de confirmar a sobrevivência do Espírito à consumpção física, explicando, através da reencarnação, a Justiça Divina e abrindo largos horizontes de esperança e plenitude para todos.
Comemorando o seu 159º aniversário há poucos dias, merece ser lido e estudado, a fim de que se possa explicar os atuais conflitos que aturdem a sociedade.
Divaldo Pereira Franco.
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 21.4.2016. Em 25.4.2016. |
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quinta-feira, 26 de maio de 2016
O Livro dos Espíritos
quinta-feira, 19 de maio de 2016
De que modo?
De que modo?
“Que quereis? irei ter convosco com vara ou com
amor e espírito de mansidão?” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 4:21.)
Por vezes, o apóstolo dos gentios, inflamado de
sublimes inspirações, trouxe aos companheiros interrogativas diretas, quase
cruéis, se consideradas tão-somente em sentido literal, mas portadoras de
realidade admirável, quando vistas através da luz imperecível.
Em todas as casas cristãs vibram irradiações de
amor e paz. Jesus nunca deixou os seguidores fiéis esquecidos, por mais separados
caminhem no terreno das interpretações.
Emissários abnegados do devotamento celestial
espalham socorro santificante em todas as épocas da Humanidade. A História é
demonstração dessa verdade inconteste.
A nenhum século faltaram missionários legítimos do
bem.
Promessas e revelações do Senhor chegam aos portos
do conhecimento, através de mil modos.
Os aprendizes que ingressaram nas fileiras
evangélicas, portanto, não podem alegar ignorância de objetivo a fim de esconderem
as próprias falhas. Cada qual, no lugar que lhe compete, já recebeu o programa
de serviço que lhe cabe executar, cada dia. Se fogem ao trabalho e se escapam
ao testemunho, devem semelhante anomalia à própria vontade paralítica.
Eis por que é possível surja um momento em que o
discípulo ocioso e pedinchão poderá ouvir o Mestre, sem intermediários,
exclamando de igual modo:
– “Que quereis? irei ter convosco com vara ou
com amor e espírito de mansidão?”
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Mensagem extraída da obra: Pão Nosso, Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 152.
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Reflexão:
O homem está subido em inteligência. A intelectualidade alcançou disseminação considerável. A tecnologia avançou vertiginosamente. As religiões com base no Evangelho Cristão se ramificaram excepcionalmente. No entanto, a mensagem epistolar aos Coríntios: – “Que quereis? Irei ter convosco com vara ou com amor e espírito de mansidão?” -, permanece quase que congelada no entendimento das massas.
Nem o apóstolo dos Gentios e nem o Mestre Jesus ensinou aos líderes grupais para que estes regateassem os seus ensinamentos àqueles que os referenciassem, gerando a fantasia de que pudessem ter algum poder delegado sobre os que conseguisse arregimentar como partidários seus. Os ensinamentos foram distribuídos indistintamente, como as gotículas de chuva que a todos atendem sem intermediários.
A mensagem evangélica é universal, dando ensejo que cada alma possa abstrair o essencial para a vida de acordo com a sua capacidade de percepção, o que pode ocorrer em grupo, àquele afim. Não como ouvinte somente, mas realizando reflexão e análise por si mesmo, propiciando a possibilidade da troca de experiências e compreensões com os pares, não para sobrepor uns sobre outros, mas para contribuir e respeitar o entendimento de outrem, que sendo diferente do nosso ponto de vista, permite-nos ampliar nossa capacidade de percepção da verdade.
"Vara" simboliza a imposição, é a dor, em conta a relutância em se não tomar as rédeas da vida em suas mãos, buscando com seus esforços o entendimento de que a vida espiritual não será melhorada pelos esforços de terceiros, essa melhoria se dará exclusivamente com os próprios esforços. "Vara" seria as diversas formas que as Leis Naturais têm de nos proporcionar melhoria, mostrando-nos através das vivências que experimentamos, estas que são o resultado de nosso estado espiritual, através das doenças orgânicas, emocionais e espirituais.
"Ou com amor e espírito de mansidão", aqui também é a Lei Natural funcionando, mas não para corrigir a rebeldia de se alimentar o "homem velho", mas proporcionar um estado de alegria íntima correspondente à condição espiritual daquele que anda com suas próprias forças, ainda contribuindo com o seu próximo, realizando o bem com plena confiança de suas possibilidades, consciente de que é parte da engrenagem Universal. A religiosidade nos liberta.
"Que quereis?" ...
Dorival da Silva
“Que quereis? irei ter convosco com vara ou com
amor e espírito de mansidão?” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 4:21.)
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quinta-feira, 12 de maio de 2016
Há muita diferença e Muito se pedirá...
Há muita diferença
“E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que
tenho, isso te dou.” – (Atos, 3:6.)
É justo recomendar muito cuidado aos que se interessam pelas
vantagens da política humana, reportando-se a Jesus e tentando explicar, pelo
Evangelho, certos absurdos em matéria de teorias sociais.
Quase sempre, a lei humana se dirige ao governado, nesta
fórmula: – “O que tens me pertence.”
O Cristianismo, porém, pela boca inspirada de Pedro, assevera
aos ouvidos do próximo:
– “O que tenho, isso te dou.”
Já meditaste na grandeza do mundo, quando os homens estiverem
resolvidos a dar do que possuem para o edifício da evolução universal?
Nos serviços da caridade comum, nas instituições de
benemerência pública, raramente a criatura cede ao semelhante aquilo que lhe
constitui propriedade intrínseca.
Para o serviço real do bem eterno, fiar-se-á alguém nas
posses perecíveis da Terra, em caráter absoluto?
O homem generoso distribuirá dinheiro e utilidades com os
necessitados do seu caminho, entretanto, não fixará em si mesmo a luz e a
alegria que nascem dessas dádivas, se as não realizou com o sentimento do amor,
que, no fundo, é a sua riqueza imperecível e legítima.
Cada individualidade traz consigo as qualidades nobres que já
conquistou e com que pode avançar sempre, no terreno das aquisições espirituais
de ordem superior.
Não olvides a palavra amorosa de Pedro e dá de ti mesmo, no
esforço de salvação, porquanto quem espera pelo ouro ou pela prata, a fim de contribuir
nas boas obras, em verdade ainda se encontra distante da possibilidade de
ajudar a si próprio.
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Mensagem extraída da obra: Pão Nosso, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel, capítulo 106.
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Muito se pedirá àquele que muito recebeu
“O servo que souber da vontade do seu amo e
que, entretanto, não estiver pronto e não fizer o que dele queira o amo, será
rudemente castigado. Mas aquele que não tenha sabido da sua vontade e fizer
coisas dignas de castigo menos punido será. Muito se pedirá àquele a quem muito
se houver dado e maiores contas serão tomadas àquele a quem mais coisas se haja
confiado.” (Lucas, 12:47 e 48.)
Principalmente ao ensino dos Espíritos é
que estas máximas se aplicam. Quem quer que conheça os preceitos do Cristo e
não os pratique, é certamente culpado; contudo, além de o Evangelho, que os
contém, achar-se espalhado somente no seio das seitas cristãs, mesmo dentro
destas quantos há que não o leem, e, entre os que o leem, quantos os que o não
compreendem! Resulta daí que as próprias palavras de Jesus são perdidas para a
maioria dos homens.
O ensino dos Espíritos,
reproduzindo essas máximas sob diferentes formas, desenvolvendo-as e comentando-as,
para pô-las ao alcance de todos, tem isto de particular: não é circunscrito;
todos, letrados ou iletrados, crentes ou incrédulos, cristãos ou não, o podem
receber, pois que os Espíritos se comunicam por toda parte. Nenhum dos que o
recebam, diretamente ou por intermédio de outrem, pode pretextar ignorância;
não se pode desculpar nem com a falta de instrução, nem com a obscuridade do
sentido alegórico. Aquele, portanto, que não aproveita essas máximas para
melhorar-se, que as admira como coisas interessantes e curiosas, sem que lhe
toquem o coração, que não se torna nem menos vão, nem menos orgulhoso, nem
menos egoísta, nem menos apegado aos bens materiais, nem melhor para seu
próximo, mais culpado é, porque mais meios tem de conhecer a verdade.
Os médiuns que obtêm
boas comunicações ainda mais censuráveis são, se persistem no mal, porque
muitas vezes escrevem sua própria condenação e porque, se não os cegasse o
orgulho, reconheceriam que a eles é que se dirigem os Espíritos. Todavia, em
vez de tomarem para si as lições que escrevem, ou que leem escritas por outros,
têm por única preocupação aplicá-las aos demais, confirmando assim estas
palavras de Jesus: “Vedes um argueiro no olho do vosso próximo e não vedes a
trave que está no vosso.”
Por esta sentença: “Se
fôsseis cegos, não teríeis pecados”, quis Jesus significar que a culpabilidade
está na razão das luzes que a criatura possua. Ora, os fariseus, que tinham a
pretensão de ser, e eram, com efeito, os mais esclarecidos da sua nação, mais
culposos se mostravam aos olhos de Deus do que o povo ignorante. O mesmo se dá
hoje.
Aos espíritas, pois,
muito será pedido, porque muito hão recebido; mas também aos que houverem
aproveitado, muito será dado.
O primeiro cuidado de todo
espírita sincero deve ser o de procurar saber se, nos conselhos que os
Espíritos dão, alguma coisa não há que lhe diga respeito.
O Espiritismo vem
multiplicar o número dos chamados. Pela fé que faculta, multiplicará também o
número dos escolhidos.
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Textos extraídos de O Evangelho Segundo o
Espiritismo, de Allan Kardec, capítulo XVIII – Muitos os chamados, pouco os escolhidos,
itens 10 e 12.
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Reflexão:
"Cada individualidade traz consigo as qualidades nobres que já conquistou e com que pode avançar sempre, no terreno das aquisições espirituais de ordem superior".
Nesse dizer de "Emmanuel" fica a síntese do registro evolutivo de cada um de nós. Ninguém pode ser àquilo que ainda não conquistou espiritualmente, o que se vê cotidianamente são mostras de como se pretende apresentar. É a hipocrisia. A personalidade que idealizamos para a conquista daquilo que atende às nossas ansiedades e interesses, muitas vezes desonestos.
A figura maiúscula de Pedro exalta o que interessa ao "ser" imortal, dando de si as vibrações que exalavam de seu espírito para atender o vazio espiritual do pedinte, expressando excepcionalmente o ensinamento que perpetua, sem que a grande maioria dos que se dizem cristãos o compreende em profundidade -- "E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou."
A necessidade maior do reencarnado está na sua alma, é a razão de estar vivendo num corpo físico, que necessita de muita assistência, a condição emocional de desiquilíbrio e a precariedade social são os resultados do que somos, considerando que percebemos apenas a parte aparente do "iceberg", caso tivéssemos consciência da integralidade certamente não nos suportaríamos.
As carências da alma se preenchem com os recursos conquistados pela própria alma. O que é material por mais valor possa ter na ótica do mundo deve ser considerado apenas na condição de meio para a realização do bem. A realização que movimenta a intenção, as emoções, pede superação de dificuldades, apurando a capacidade de discernimento, a oportunidade de decidir e de avaliar se o que resulta é bom ou não para si e para outrem. O bem ou mal são as consequências das iniciativas ou não.
No Evangelho Segundo o Espiritismo apresenta análise do ensinamento de Jesus: "Muito se pedirá àquele que muito recebeu", o que é uma lógica límpida, é justiça Divina. Não há reparo! Não é possível que se permitisse que um mestre em matemática claudicasse em operações básicas, certamente se exigirá exatidão em matéria complexa compatível com a sua competência. Assim é na questão espiritual, a consciência não ficará satisfeita se não cumprirmos com os deveres que nos são próprios. Havendo descumprimento pela falta de compromisso, deslealdade, relaxamento, displicência e irresponsabilidade, tudo o que defluir em prejuízos sejam no campo material ou moral será exigido reparação, nesta vida ainda ou em outra, e as dificuldades serão correspondentes ao nosso estado de consciência. As dificuldades materiais ou emocionais são os desforços que fizemos para não fazer ou mal fazer o que tínhamos possibilidades de fazer bem, com resultados benfazejos proporcionadores de paz e felicidade.
"O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados. Pela fé que faculta, multiplicará também o número dos escolhidos." As verdades estão colocadas e não há possibilidade de retrocesso, o que a vida propõe é a plenitude, esta é a meta, o atraso na caminhada é por conta de cada indivíduo, chama-se indivíduo porque é um mundo próprio, é autônomo, no entanto, não conseguirá alcançar o objetivo se não souber estender os braços para servir e as emoções para consolar àqueles que ainda estão no esforço de superação de suas mazelas.
A Doutrina Espírita contém os ensinamentos orientadores, como a trombeta que aponta a direção, ater-se a isso é escolher-se investindo no aprimoramento de si mesmo, multiplicando o número dos alçados no mundo dos escolhidos.
Dorival da Silva
"Cada individualidade traz consigo as qualidades nobres que já conquistou e com que pode avançar sempre, no terreno das aquisições espirituais de ordem superior".
Nesse dizer de "Emmanuel" fica a síntese do registro evolutivo de cada um de nós. Ninguém pode ser àquilo que ainda não conquistou espiritualmente, o que se vê cotidianamente são mostras de como se pretende apresentar. É a hipocrisia. A personalidade que idealizamos para a conquista daquilo que atende às nossas ansiedades e interesses, muitas vezes desonestos.
A figura maiúscula de Pedro exalta o que interessa ao "ser" imortal, dando de si as vibrações que exalavam de seu espírito para atender o vazio espiritual do pedinte, expressando excepcionalmente o ensinamento que perpetua, sem que a grande maioria dos que se dizem cristãos o compreende em profundidade -- "E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou."
A necessidade maior do reencarnado está na sua alma, é a razão de estar vivendo num corpo físico, que necessita de muita assistência, a condição emocional de desiquilíbrio e a precariedade social são os resultados do que somos, considerando que percebemos apenas a parte aparente do "iceberg", caso tivéssemos consciência da integralidade certamente não nos suportaríamos.
As carências da alma se preenchem com os recursos conquistados pela própria alma. O que é material por mais valor possa ter na ótica do mundo deve ser considerado apenas na condição de meio para a realização do bem. A realização que movimenta a intenção, as emoções, pede superação de dificuldades, apurando a capacidade de discernimento, a oportunidade de decidir e de avaliar se o que resulta é bom ou não para si e para outrem. O bem ou mal são as consequências das iniciativas ou não.
No Evangelho Segundo o Espiritismo apresenta análise do ensinamento de Jesus: "Muito se pedirá àquele que muito recebeu", o que é uma lógica límpida, é justiça Divina. Não há reparo! Não é possível que se permitisse que um mestre em matemática claudicasse em operações básicas, certamente se exigirá exatidão em matéria complexa compatível com a sua competência. Assim é na questão espiritual, a consciência não ficará satisfeita se não cumprirmos com os deveres que nos são próprios. Havendo descumprimento pela falta de compromisso, deslealdade, relaxamento, displicência e irresponsabilidade, tudo o que defluir em prejuízos sejam no campo material ou moral será exigido reparação, nesta vida ainda ou em outra, e as dificuldades serão correspondentes ao nosso estado de consciência. As dificuldades materiais ou emocionais são os desforços que fizemos para não fazer ou mal fazer o que tínhamos possibilidades de fazer bem, com resultados benfazejos proporcionadores de paz e felicidade.
"O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados. Pela fé que faculta, multiplicará também o número dos escolhidos." As verdades estão colocadas e não há possibilidade de retrocesso, o que a vida propõe é a plenitude, esta é a meta, o atraso na caminhada é por conta de cada indivíduo, chama-se indivíduo porque é um mundo próprio, é autônomo, no entanto, não conseguirá alcançar o objetivo se não souber estender os braços para servir e as emoções para consolar àqueles que ainda estão no esforço de superação de suas mazelas.
A Doutrina Espírita contém os ensinamentos orientadores, como a trombeta que aponta a direção, ater-se a isso é escolher-se investindo no aprimoramento de si mesmo, multiplicando o número dos alçados no mundo dos escolhidos.
Dorival da Silva
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Fermento velho e A Nuvem
Fermento
velho
“Alimpai-vos,
pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa.” - Paulo. (I
Coríntios, 5:7.)
Existem
velhas fermentações de natureza mental, que representam tóxicos perigosos ao
equilíbrio da alma.
Muito
comum observarmos companheiros ansiosos por íntima identificação com o
pretérito, na teia de passadas reencarnações.
Acontece,
porém, que a maioria dos encarnados na Terra não possuem uma vida pregressa
respeitável e digna, em que possam recolher sementes de exemplificação cristã.
Quase
todos nos embebedávamos com o licor mentiroso da vaidade, em administrando os
patrimônios do mundo, quando não nos embriagávamos com o vinho destruidor do
crime, se chamados a obedecer nas obras do Senhor.
Quem
possua forças e luzes para conhecer experiências fracassadas, compreendendo a
própria inferioridade, talvez aproveite algo de útil, relendo páginas vivas que
se foram. Os aprendizes desse jaez, contudo, são ainda raros, nos trabalhos de
recapitulação na carne, junto da qual a Compaixão Divina concede ao servo
falido a bênção do esquecimento para a valorização das novas iniciativas.
Não
guardes, portanto, o fermento velho no coração.
Cada
dia nos conclama à vida mais nobre e mais alta.
Reformemo-nos,
à claridade do Infinito Bem, a fim de que sejamos nova massa espiritual nas
mãos de Nosso Senhor Jesus.
Página extraída da obra: Vinha de Luz, pelo
Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 64.
A
Nuvem
É uma
camada que divide dois espaços.
Abaixo
circulam as fraquezas humanas, as paixões, o egoísmo, o preconceito, as dores,
as incertezas e os conflitos.
Acima, a
imensidade plena de luz, a amplidão estelar, as harmonias, o bem, a paz
infinita.
A
personalidade humana é essa nuvem com tudo aquilo que dela esteja abaixo.
Aprenda
a transpor essa barreira no universo do seu próprio ser.
O que
está acima é a sua individualidade, a sua essência, a luz de sua realidade espiritual,
os vastíssimos horizontes do saber e do sentir.
Busque
essa dimensão.
Aprenda a
superar os próprios limites.
Descubra
a Vida.
Página extraída da obra:
Minuto de Luz – Pastorino – Ariston S. Teles, capítulo 91.
Reflexão:
As páginas
acima apresentam argumentos que se somam levando-nos a percepções de grande
profundidade, indo além dos limites da vida material. Falam-nos do nosso estado de alma, na nossa
condição de reencarnados, que recebemos as influências de nossas realizações
anteriores à esta existência e nos remetem para depois da vida presente. Anotemos
que ao adentrarmos nesta vida física e ao sairmos dela, estamos com um estado
de consciência contido entre dois pontos, poderíamos dizer diques que nos
circunscrevem no espaço e no tempo, é a vida material. No entanto, a vida do
Espírito não tem interrupção, somente teve início, jamais terá fim. É a vida
sempre existente que adentra um corpo que se forma e dele sai quando a
programação se cumpre ou as circunstâncias providenciam.
Sobre o “fermento velho”, a referência de Paulo¹,
explana significativamente o Espírito Emmanuel, “sobre a fermentação mental”, é o ressentir de nós mesmos, seja
consciente – fatos desta vida --, ou muitos outros, inconscientes, de vidas
anteriores.
Emmanuel faz apontamento sob a ótica de quem
vê do plano espiritual, afirmando, quanto nós aprendizes, devemos avaliar essa
realidade onde estamos inseridos: “Acontece,
porém, que a maioria dos encarnados na Terra não possuem uma vida pregressa
respeitável e digna, em que possam recolher sementes de exemplificação cristã.”
A observação do que ocorre na sociedade global, mesmo na nossa comunidade,
leva a essa conclusão, pois, agimos como somos, com o que conquistamos em todos
os tempos, porque tudo está estabelecido em nós, nas profundezas da própria
alma.
Com essa própria herança nos manifestamos,
agimos e reagimos na presente vida física, a separação do que é inconsciente e
o que é consciente é muito tênue, através das tendências e das aptidões, dos
valores inatos, para o bem ou para o mal, constata-se quem somos e como somos.
Viemos
na esteira dos tempos construindo dificuldades para nós mesmos, não podemos nos
esconder dessa realidade, vejamos o que Emmanuel informa: “Quase todos nos embebedávamos com o licor mentiroso da vaidade, em administrando
os patrimônios do mundo, quando não nos embriagávamos com o vinho destruidor do
crime, se chamados a obedecer nas obras do Senhor.” Não restam dúvidas, que
embora sustentássemos as insígnias e intitulássemos cristãos, apenas nos
beneficiávamos do poder que o nome do Senhor Jesus proporcionava aos nossos
desejos irrefreáveis de locupletar de vantagens. Não éramos verdadeiros
cristãos.
O
Amigo espiritual que discorre sobre o “fermento velho” anota, ainda: “Muito comum observarmos companheiros
ansiosos por íntima identificação com o pretérito, na teia de passadas reencarnações.” São frequentes as repetições de hábitos e
costumes que ficaram arraigados na nossa alma nas experiências transatas, tais
como: os vícios, a arrogância, a violência, a deslealdade, a infidelidade... As consequências continuam nos afetando,
causando sofrimentos a nós mesmos e aos outros.
Sobre o texto: “A Nuvem”, o autor faz um paralelo
onde situa a personalidade – a vida atual – como o divisor de dois espaços, que
podemos considerar dois estados de alma, quando registra: “Abaixo circulam as fraquezas humanas, as paixões, o egoísmo, o
preconceito, as dores, as incertezas e os conflitos.
Acima, a imensidade plena de luz, a amplidão estelar, as
harmonias, o bem, a paz infinita.” Mostra-nos o que somos e
como estamos e onde deveremos chegar. Não adianta alimentarmos ilusões,
procurarmos subterfúgios, postarmo-nos na condição de vítimas, é imprescindível
caminhar, abandonar os antigos ranços que alimentam a nossa vaidade e fortalecem
o nosso egoísmo.
A mensagem
de Jesus tem por finalidade proporcionar aos Espíritos, que somos todos nós,
oportunidade de entender que a vida material é a grande oportunidade para a
renovação, considerando o esquecimento do passado, permitindo que vivamos
novamente com os nossos defeitos para corrigi-los, para que nos harmonizemos com
aqueles que rivalizamos, que agora são nossos filhos, pais, irmãos... A oportunidade é para que nos tornemos
verdadeiros cristãos, sem outro propósito, se não o bem pelo bem.
Toda a
promessa de Jesus é para o melhoramento da alma, objetivando a paz e a
felicidade que acontecerão na própria alma, pois, a herança recai sobre aquela
que a conquistou.
(¹) – Paulo (I Coríntios,
5:7)
Dorival da Silva
Solução de alguns problemas pela Doutrina Espírita 4
O HOMEM DEPOIS DA MORTE
144. Como se opera a separação da
alma e do corpo? É brusca ou gradual?
O desprendimento opera-se gradualmente e com lentidão variável,
segundo os indivíduos e as circunstâncias da morte.
Os laços que prendem a alma ao corpo não se rompem senão aos
poucos, e tanto menos rapidamente quanto mais a vida foi material e sensual. (O
Livro dos Espíritos, no 155.)
145. Qual a situação da alma
imediatamente depois da morte do corpo? Tem ela instantaneamente a consciência
de si? Em uma palavra, que vê? Que experimenta ela?
No momento da morte, tudo se apresenta confuso; é-lhe preciso
algum tempo para se reconhecer; ela conserva-se tonta, no estado do homem que
sai de profundo sono e que procura compreender a sua situação. A lucidez das
ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se destrói a influência da
matéria de que ela acaba de separar-se, e que se dissipa o nevoeiro que lhe
obscurece os pensamentos.
O tempo da perturbação, sequente à morte, é muito variável; pode
ser de algumas horas somente, como de muitos dias, meses ou, mesmo, de muitos
anos. É menos longa, entretanto, para aqueles que, enquanto vivos, se
identificaram com o seu estado futuro, porque esses compreendem imediatamente a
sua situação; porém, é tanto mais longa quanto mais materialmente o indivíduo
viveu.
A sensação que a alma experimenta nesse momento é também muito
variável; a perturbação, sequente à morte, nada tem de penosa para o homem de
bem; é calma e em tudo semelhante à que acompanha um despertar plácido.
Para aquele cuja consciência não é pura e amou mais a vida
corporal que a espiritual, esse momento é cheio de ansiedade e de angústias,
que vão aumentando à medida que ele se reconhece, porque então sente medo e
certo terror diante do que vê e sobretudo do que entrevê. A sensação a que
podemos chamar física, é a de grande alívio e de imenso bem-estar, fica-se como que livre de um fardo, e o Espírito sente-se feliz por
não mais experimentar as dores corporais que o atormentavam alguns instantes
antes; sente-se livre, desembaraçado, como aquele a quem tirassem as cadeias
que o prendiam.
Em sua nova situação, a alma vê e ouve ainda outras coisas que
escapam à grosseria dos órgãos corporais. Tem, então, sensações e percepções
que nos são desconhecidas. (Revue Spirite, 1859, pág. 244: “Mort d’un
Spirite”. — Idem, 1860, pág. 332: “Le réveil de l’Esprit”. — Idem,
idem, 1862, págs. 129 e 171: “Obsèques de M. Sanson”.)
OBSERVAÇÃO — Estas respostas e todas as relativas à situação da
alma depois da morte ou durante a vida, não são o resultado de uma teoria ou de
um sistema, mas de estudos diretos feitos sobre milhares de indivíduos,
observados em todas as fases e períodos da sua existência espiritual, desde o
mais baixo ao mais alto grau da escala, segundo seus hábitos durante a vida
terrena, gênero de morte, etc.
Muitas vezes diz-se, falando da vida futura, que não se sabe o que
nela se passa, porque ninguém no-lo veio contar; é um erro, pois são precisamente
os que nela já se acham, que, a respeito, nos vêm instruir, e Deus o permite
hoje, mais que em nenhuma outra época, como último aviso à incredulidade e ao
materialismo.
146. A alma que deixa o
corpo, pode ver a Deus?
As faculdades perceptivas da alma são proporcionais à sua
purificação: só as de escol podem gozar da presença de Deus.
147. Se Deus está em toda parte, por
que nem todos os Espíritos podem vê-lo?
Deus está em toda parte, porque em toda parte Ele irradia, podendo
dizer-se que o Universo está mergulhado na divindade, como nós o estamos na luz
solar; os Espíritos atrasados, porém, estão envolvidos numa espécie de nevoeiro
que O oculta a seus olhos, e que se não dissipa senão à medida que eles se
desmaterializam e se purificam. Os Espíritos inferiores são, pela vista, em
relação a Deus, o que os encarnados são, em relação aos Espíritos: verdadeiros
cegos.
148. Depois da morte, tem a alma
consciência de sua individualidade? Como a constata e como podemos constatá-la?
Se as almas não tivessem sua individualidade depois da morte,
isto, para elas, como para nós, seria o mesmo que não existirem; não teriam
caráter algum distintivo; a do criminoso estaria na mesma altura que a do homem
de bem, donde resultaria não haver interesse algum em fazermos o bem.
A individualidade da alma é mostrada de modo material, por assim
dizer, nas manifestações espíritas, pela linguagem e qualidades próprias de
cada qual; uma vez que elas pensam e agem de modo diferente, umas são boas e
outras más, umas sábias e outras ignorantes, querendo umas o que outras não querem,
o que prova evidentemente não estarem confundidas em um todo homogêneo, isso
sem falar das provas patentes que nos dão, de terem animado tal ou tal indivíduo na Terra.
Graças ao Espiritismo experimental, a individualidade da alma não
é mais uma coisa vaga, porém o resultado da observação.
A própria alma reconhece sua individualidade, porque tem
pensamento e volição próprios, que distinguem umas das outras; verificando
ainda a sua individualidade por seu invólucro fluídico ou perispírito, espécie
de corpo limitado, que faz dela um ser distinto.
OBSERVAÇÃO — Há quem pense poder fugir à pecha de materialista por
admitir um princípio inteligente universal, do qual uma parte absorveríamos ao
nascermos, formando dela a nossa alma e restituindo-a depois da morte à massa
comum, onde com outras se confundiria, tal como gotas d’água no oceano.
Este sistema, espécie de transição, não merece mesmo o nome de Espiritualismo,
pois é tão desolador quanto o materialismo.
O reservatório comum do conjunto universal equivaleria ao
aniquilamento, porquanto ali não haveria mais individualidades.
149. O gênero de morte influi no
estado da alma?
O estado da alma varia consideravelmente segundo o gênero de
morte, mas, sobretudo, segundo a natureza dos hábitos durante a vida. Na morte
natural, o desprendimento se opera gradualmente e sem abalo, começando mesmo
antes que a vida esteja extinta. Na morte violenta, por suplício, suicídio ou
acidente, os laços são partidos bruscamente; o Espírito, surpreendido, fica
como que tonto com a mudança nele efetuada, e não acha explicação para a sua
situação.
Um fenômeno, mais ou menos constante em tal caso, é a persuasão
em que ele se conserva de não estar morto, podendo essa ilusão durar muitos meses
e mesmo muitos anos. Neste estado, ele se locomove, julga ocupar-se dos seus
negócios, como se ainda estivesse no mundo, e mostra-se espantado de não lhe
responderem, quando fala.
Essa ilusão também se nota, fora dos casos de morte violenta, em
muitos indivíduos, cuja vida foi absorvida pelos gozos e interesses materiais.
(O Livro dos Espíritos, no 165. — Revue Spirite, 1858, pág. 166:
“Le suicidé de la Samaritaine”. — Idem, 1858, pág. 326: “Un Esprit au
convoi de son corps”; idem, 1859, pág. 184: “Le Zouave de Magenta”; idem,
1859, pág. 319: “Un Esprit qui ne se croit pas mort”. — Idem, 1863, pág.
97: “François Simon Louvet”. )
150. Para onde vai a alma depois de
deixar o corpo?
Ela não vai perder-se na imensidade do infinito, como geralmente
se supõe; erra no espaço e, o mais das vezes, no meio daqueles que conheceu e,
sobretudo, que amou, podendo instantaneamente transportar-se a distâncias
imensas.
151. Conserva a alma as afeições que
tinha na vida terrena?
Guarda todas as afeições morais e só esquece as materiais, que
já não são de sua essência; por isso vem satisfeita ver os parentes e amigos e
sente-se feliz com a lembrança deles. (Revue Spirite, 1860, pág. 341:
“Les amis ne nous oublient pas dans l’autre monde”. — Idem, 1862, pág.
132.)
152. Conserva a alma a lembrança do
que fez na Terra? Tem ela ainda interesse pelos trabalhos que não pôde
completar?
Depende da sua elevação e da natureza desses trabalhos.
Os Espíritos desmaterializados pouco se preocupam com as coisas
materiais, de que se julgam felizes por estar livres. Quanto aos trabalhos que
começaram, segundo sua importância e utilidade, inspiram a outros o desejo de
terminá-los.
153. Encontra a alma no mundo dos
Espíritos os parentes que ali a precederam?
Não só os encontra, como também a outros muitos, seus conhecidos
de outras existências.
Geralmente, aqueles que mais a amam vêm recebê-la à sua chegada
no mundo espiritual, e ajudam-na a desprender-se dos laços terrenos. Entretanto,
a privação de ver as almas mais caras é, algumas vezes, punição para os
culpados.
154. Qual, na outra vida, o estado
intelectual e moral da alma da criança morta em tenra idade? Suas faculdades conservam-se
na infância, como durante a vida?
O incompleto desenvolvimento dos órgãos da criança não dava ao
Espírito a liberdade de se manifestar completamente; livre desse invólucro,
suas faculdades são o que eram antes da sua encarnação. O Espírito, não tendo
feito mais que passar alguns instantes na vida, não sofre modificação nas faculdades.
OBSERVAÇÃO — Nas comunicações espíritas, o Espírito de um menino
pode, pois, falar como adulto, porque pode ser Espírito adiantado. Se, algumas
vezes, adota a linguagem infantil, é para não tirar à mãe o encanto que sempre
está ligado à afeição de um ente frágil, delicado e adornado com as graças da
inocência. (Revue Spirite, 1858, pág. 17: “Mère! Je suis là”.)
Podendo a mesma questão ser formulada acerca do estado
intelectual da alma dos imbecis, idiotas e loucos depois da morte, encontra-se
a solução no que precede.
155. Que diferença há, depois da
morte, entre a alma do sábio e a do ignorante, entre a do selvagem e a do homem
civilizado?
A mesma, pouco mais ou menos, que existia entre elas durante a
vida; porque a entrada no mundo dos Espíritos não dá à alma todos os conhecimentos
que lhe faltavam na Terra.
156. Progridem as almas,
intelectualmente, depois da morte?
Progridem mais ou menos, segundo sua vontade, e algumas se
adiantam muito; porém, têm necessidade de pôr em prática, durante a vida
corporal, o que adquiriram em ciência e moralidade. As que ficaram
estacionárias, recomeçam uma existência análoga à que deixaram; as que
progrediram, alcançam uma encarnação de ordem mais elevada.
Sendo o progresso proporcionado à vontade do Espírito, há muitos
que, por longo tempo, conservam os gostos e as inclinações que tinham durante a
vida, e prosseguem nas mesmas ideias. (Revue Spirite, 1858, pág. 82: “La
reine d’Oude”; idem, pág. 142: “L’Esprit et les héritiers”; idem,
pág. 186; “Le tambour de la Bérésina”; idem, 1859, pág. 344: “Un ancien charretier”; idem, 1860, pág. 383: “Progrès des Esprits”;
idem, 1861, pág. 126: “Progrès d’un Esprit pervers”.)
157. A sorte do homem, na vida
futura, está irrevogavelmente fixada depois da morte?
A fixação irrevogável da sorte do homem, depois da morte, seria
a negação absoluta da justiça e da bondade de Deus, porque há muitos que não
puderam esclarecer-se suficientemente na existência terrena, sem falar dos
idiotas, imbecis, selvagens e de elevado número de crianças que morrem sem ter entrevisto
a vida. Mesmo entre os homens esclarecidos, há muitos que, julgando-se
assaz perfeitos, creem-se dispensados de estudar e trabalhar mais, e não é isto
prova que Deus nos dá de sua bondade, o permitir que o homem faça amanhã o que
não pode fazer hoje?
Se a sorte é irrevogavelmente fixada, por que morrem os homens
em idades diferentes, e por que, em sua justiça, não concede Deus a todos o
tempo de produzir a maior soma de bem e reparar o mal que fizeram?
Quem sabe se o criminoso que morre aos trinta anos, não se teria
tornado um homem de bem, se vivesse até aos sessenta? Por que Deus lhe tira
assim os meios que concede a outros?
Só o fato da diversidade das durações da vida e do estado moral
da grande maioria dos homens, prova a impossibilidade, admitida a justiça
divina, de ser a sorte da alma irrevogavelmente fixada depois da morte.
158. Qual, na vida futura, a sorte
das crianças que morrem em tenra idade?
Esta questão é uma das que melhor provam a justiça e a necessidade da pluralidade das existências.
Uma alma que só tiver vivido alguns instantes, sem fazer nem bem nem mal, não
pode merecer prêmio nem castigo, pois, segundo a máxima do Cristo — cada um
é punido ou recompensado conforme suas obras — é tão ilógico como contrário
à justiça de Deus admitir-se que, sem trabalho, essa alma seja chamada a gozar da
bem-aventurança dos anjos, ou que desta se veja privada; entretanto, ela
deve ter um destino qualquer. Um estado misto, por toda a eternidade, seria
igualmente uma injustiça.
Uma existência logo em começo interrompida, não podendo, pois,
ter consequência alguma para a alma, tem por sorte atual o que mereceu da
existência anterior, e futuramente o que vier a merecer em suas existências
ulteriores.
159. Têm as almas ocupações na outra
vida? Pensam elas em outra coisa, a não ser em suas alegrias e sofrimentos?
Se as almas não fizessem mais que tratar de si durante a eternidade,
seria egoísmo, e Deus, que condena essa falta na vida corporal, não poderia
aprová-la na espiritual. As almas, ou Espíritos, têm ocupações em relação com o
seu grau de adiantamento, ao mesmo tempo que procuram instruir-se e melhorar-se.
(O Livro dos Espíritos, no 558: “Ocupações e missões dos Espíritos”.)
160. Em que consistem os sofrimentos
da alma depois da morte? Irão as almas criminosas ser torturadas em chamas materiais?
A Igreja reconhece perfeitamente, hoje, que o fogo do inferno é
todo moral e não material; porém, não define a natureza dos sofrimentos. As
comunicações espíritas colocam os sofrimentos sob os nossos olhos, e, por esse
meio, podemos apreciá-los e convencer-nos de que, apesar de não serem o resultado
de um fogo material, que efetivamente não poderia queimar almas imateriais,
eles, nem por isso, deixam de ser mais terríveis, em certos casos.
Essas penas não são uniformes: variam infinitamente, segundo a
natureza e o grau das faltas cometidas, sendo quase sempre essas mesmas faltas
o instrumento do seu castigo; é assim que certos assassinos são obrigados a
conservarem-se no próprio lugar do crime e a contemplar suas vítimas incessantemente;
que o homem de gostos sensuais e materiais conserva esses pendores juntamente
com a impossibilidade de satisfazê-los, o que lhe é uma tortura; que certos
avarentos julgam sofrer o frio e as privações que suportaram na vida por sua
avareza; outros se conservam junto aos tesouros que enterraram, em transes
perpétuos, com medo que os roubem; em uma palavra, não há um defeito, uma
imperfeição moral, um ato mau, que não tenha, no mundo espiritual, seu reverso e suas consequências naturais; e, para isso, não há necessidade
de um lugar determinado e circunscrito. Onde quer que se ache o Espírito
perverso, o inferno estará com ele.
Além dos sofrimentos espirituais, há as penas e provas materiais
que o Espírito, se não está depurado, experimenta numa nova encarnação, na qual
é colocado em condições de sofrer o que fez a outrem sofrer; de ser humilhado,
se foi orgulhoso; miserável, se avarento; infeliz com seus filhos, se foi mau
filho, etc.
Como dissemos, a Terra é um dos lugares de exílio e de expiação,
um purgatório, para os Espíritos dessa natureza, do qual cada um se pode
libertar, melhorando-se suficientemente para merecer habitação em mundo melhor.
(O Livro dos Espíritos, no 237: “Percepções, sensações e sofrimentos dos
Espíritos”; idem, Parte 4a: “Esperanças e consolações”, cap. I, “Penas e
gozos futuros”; — Revue Spirite, 1858, pág. 79: “L’assassin Lemaire”; idem,
pág. 166: “Le suicidé de la Samaritaine”; idem, pág. 331: “Sensations
des Esprits”; idem, 1859, pág. 275: “Le père Crépin”; idem, 1860,
pág. 61: “Estela Regnier”; idem, página 247: “Le suicidé de la rue
Quincampoix”; idem, pág. 316: “Le châtiment”; idem, pág. 315:
“Entrée d’um coupable dans le monde des Esprits”; idem, pág. 384: “Châtiment
de l’egoïste”; idem,1861, pág. 53: “Suicide d’um athée”; idem,
página 270: “La peine du talion”.)
161. A prece será útil às almas
sofredoras?
Todos os bons Espíritos a recomendam e os imperfeitos a pedem
como meio de aliviar os seus sofrimentos. A alma, por quem se pede, experimenta
um consolo, porque vê na prece um testemunho de interesse, e o infeliz é sempre
consolado, quando encontra pessoas que compartilhem de suas dores.
De outro lado, pela prece o exortamos ao arrependimento e ao desejo
de fazer o necessário para ser feliz; é neste sentido que se pode abreviar-lhe
as penas, quando ele, de seu lado, o favorece com a sua boa vontade. (O
Livro dos Espíritos, no 664. — Revue Spirite, 1859, pág. 315:
“Effets de la prière sur les Esprits souffrants”.)
162. Em que consistem os gozos das
almas felizes? Passam elas a eternidade em contemplação?
A justiça quer que a recompensa seja proporcional ao mérito,
como a punição à gravidade da falta; há, pois, graus infinitos nos gozos da
alma, desde o instante em que ela entra no caminho do bem, até aquele em que
atinge a perfeição. A felicidade dos bons Espíritos consiste em conhecer todas
as coisas, não sentir ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer
das paixões que desgraçam os homens. O amor que os une é, para os bons Espíritos,
a fonte de suprema felicidade, pois não experimentam as necessidades, nem os
sofrimentos, nem as angústias da vida material.
O estado de contemplação perpétua seria uma felicidade estúpida
e monótona; seria a ventura do egoísta, uma existência interminavelmente
inútil.
A vida espiritual é, ao contrário, de uma atividade incessante pelas
missões que os Espíritos recebem do Ser Supremo, de serem seus agentes no
governo do Universo — missões essas proporcionadas ao seu adiantamento, e cujo
desempenho os torna felizes, porque lhes fornece ocasiões de serem úteis e de
fazerem o bem. (O Livro dos Espíritos, no 558: “Ocupações e missões dos
Espíritos”. — Revue Spirite, 1860, págs. 321 e 322, “Les purs Esprits: Le séjour des bienheureux”; idem,
1861, pág. 179: “Madame Gourdon”.)
OBSERVAÇÃO — Convidamos os adversários do Espiritismo e os que não
admitem a reencarnação a darem, dos problemas acima apresentados, uma solução
mais lógica, por outro princípio qualquer que não seja o da pluralidade das
existências.
-- FIM --
O Livro: O que é o Espiritismo, pode ser consultado integralmente no endereço:
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